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Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...
.. obrigada .. :)
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Dois Fevereiros de Mim
e estive eu a lembrar-me
daquela noite chuvosa de um fevereiro
onde vestia eu um vestido de princesa...
branquinho... tal os sonhos meus.
e passou o trem... o meu trem...
subi apressadamente.
flores e amores nas mãos...
e olores dos canteiros da juventude minha
guardados à apenas a ti.
chovia e flores do céu...
e eras seco...
nem molhavas-te a ti
na chuva que vinha de fora.
nem nas gotas orvalhadas
do meu amor.
mas eu subi no trem...
nas badaladas tantas do sino da igreja.
olhei-me... bela é toda a juventude.
te olhei... te olhei... quase enxerguei.
eu nunca te vi...
nunca saberei se consegui te tocar.
mas sei de mim...
e do meu amor molhado da chuva...
do orvalho das flores que trazia eu nas mãos...
que aromava à sonhos de eternidade.
desequilibrei-me...
e perdi-me ainda de Ti.
e despetalei as flores todas!
desci do trem como uma louca!
prendeu-se o meu vestido
nos tantos tropeços meus.
nos tantos vagões...
nos meus passos vagos...
terminei por rasgar
o alvo vestido em farrapos - de mim.
quebrei o salto dos sapatinhos de cristal.
atirei-os longe...
nem sei onde os perdi.
e tangi os anjos e as borboletas... todos!
e sei apenas dos caminhos que percorri...
descalça...
e é preciso lembrar dos meus pés cortados
e cansados de caminhar por conta própria...
em voltas... à nenhum lugar
que não à mim mesma.
e sei do meu nada...
dos dias vividos sem Ti.
e das noites com medo do escuro.
e das noites com medo do bicho-homem.
e sei das rosas
que não mais ganhei...
nunca mais.
e dos meus (des)aniversários...
da solidão que é viver sem Ti.
e sei do meu declínio...
ingrime... ingrime... veloz.
das minhas perdas.
e das duas mães que se foram:
uma, de morte morrida - outra, de morte matada.
e da dor lacerante e finda
até o momento estanque
do Teu abraço.
e posso ainda eu falar daquele tempo...
um tempo em que eu era cercadinha
com cercas alvas de cuidados ternos...
do lar que formamos.
e risadinhas dos meus "querubins"...
e restinhos de bombons pregados em minha roupa
sempre...
por quatro mãozinhas de mim.
e este tempo é um quadro...
e pendurei-o eu
nas paredes do meu coração.
e hoje este tempo é verso...
que escorre dos meus olhos
e sangram saudades do coração
e escorre pelo meu olhar e mãos
e é o único grito que eu consigo soltar.
no mais... era o nada
sem Ti.
tornei-me num passarinho machucado...
cansado de bater em vidraças.
eu não enxergava as vidraças!
só o que estava para além.
e Tu levaste-me à Tua porta
repleta das Tua flores
e a um semeador cuida(dor)
e é abraço amigo que acolhe-me...
e Tu és tudo.
e fez ele ninho
em meu coração passarinho...
num fevereiro de mim.
e sou Teu passarinho e flor
na hora de partir e sempre...
e nos Teus braços vou
a alçar os Teus vôos
os que Tu sonhas para mim
| Ensina-me a espalhar sementinhas |
e Tua sou: complexa e esquisita.
Usa-me para as coisas Tuas
Repouso da Tua paz...
meu Senhor de mim.
.. como é bom e grato olhar para trás.. e perceber que, em tudo, Tu és e estás ..
Karla Mello
OST: David Bowman
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Descanso
deixo-me.
quero Nele estar.
deixo-te passar por mim.
não depende de mim.
deixo-me passar-me!
deixo passarem
deixo sobre mim:
a Tua vontade
e a tua má vontade
o teu desleixo
a tua vida
vivida à conta-gotas.
ando apressada
e perdi o meu conta-gotas
e eu jorro mesmo.
e parei de viver
do ontem.
ando cansada
resolvi parar tudo
assim...
de mim.
deixo-te parar
cansada de dar "corda"
no teu brinquedo
não é brinquedo:
vida que corre.
vida que passa.
parei. estagnei
lá atrás das águas.
quero descansar um pouco
e sempre Nele:
de mim mesma.
da minha pressa.
do meu "para ontem".
do teu "para amanhã".
deixo-te passar
devagarzinho
e tudo o mais.
e nunca sozinhos...
nós.
eu:
hoje quero estar sempre morta.
Ele... vive.
Karla Mello
OST: Fabiano Milani
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Disléxico Amor
Saulo.. que perseguia cristãos
E que, por teu Amor,
Tornaste-o em teu servo Paulo
Que escreveu tantas cartas
Tuas, em teu nome
Efésios seis!
Dá-nos a tua armadura.
Revesti-nos!
Amparai-nos!
Na tua marcha que segue
Cada vez mais forte!
E se um se acovarda e cai...
Misericórdia!
A tua misericórdia nos ergue
E mais tantos quantos outros
Em meio a santos prantos
Marcham... Clamam... Amam...
Na tua santa direção.
Abaixo a hiper graça!
Que é como um cabide cínico
Na sala de estar(se) bem
Onde acumulamos tantas
Imundices! Imundices!
Queremos novamente moldar-te
Tu às nossas vontades!
E esta faz pouco caso
Da rude... Tua cruz!
Por nós... Todas as dores
Sem distinção.
... És um cavalheiro, meu Senhor
Não invades nenhuma gente.
Tu bates à porta.
Tu vens... Tu nos chamas.
... Faz-me refletir quando afasto-me
De mim mesma
Haja que viver em ti
É esquecer-se de si
Ego que esvai-se para o ralo
Imundo
Onde é o seu real lugar.
Mundo Insano... Mundo.
Amo-te tanto, meu Senhor
Num Amor tão capenga
Tal como uma frase disléxica
Um Amor mal acabado.
E eu sei que não te surpreendo
E nos Amas tanto assim.
Silencio o pranto.
Comovida sinto-me.
Constrangida faz-me.
E me ergues em ti
Rocha da minha salvação!
Leva-me... Leva-me...
A um lugar onde eu não coube, vã
Efésios seis!
Leva-me para um lugar de servidão.
O meu imperfeito ser
Improvável! Improvável tua sou
Lavada pelo teu sangue estou.
Quebraste tu tantas regras
Que nos separam do Amor
Sentaste à volta de um poço
Lugar de encontros furtivos
Na Samaria descabida
Com uma mulher, como eu, descabida
E permitiste tu, Amoroso
Que ela te anunciasse.
Dá-nos a tua ternura.
Dá-nos a tua bravura
De quebrar conceitos engessados
De acolher a todos num abraço
Todos os necessitados teus
Como eu, de ti.
|... E o que estão a fazer às tuas criancinhas? |
...Toda a palavra se cumpre...
Meu Senhor... Meu Senhor...
Perdoa-me os pensamentos amontoados
E ainda os abraços abortados
Quando eu os recolho, engessados
Porque não "cai" bem ao lugar,
Às circunstâncias dos nossos “modelos”.
E assim, sou longe de ti...
Tu, que nunca guardas um abraço.
E nós somos tão imperfeitos
Mas dentro de um abraço irmão
Abraços de imperfeitos
Bem ali... Bem no instante | meio
Tu és o perfeito
E cobres toda a imperfeição.
Saulo... que, por teu amor,
Tornaste-o em teu servo Paulo.
E eu... que "matei" tanta gente
E vivo à espreita do bicho "eu"
A tropeçar em mim mesma
E que, somente por teu Amor,
Tornaste-me em tua menina flor
E (re)plantaste-me novamente
No teu Amoroso jardim.
E, quando olho, lá atrás...
Tu sempre cuidaste de mim.
Efésios seis.
Dá-me a tua armadura.
A espada do teu santo espírito:
palavra de minha boca | tua
| Compaixão exacerbada, enfraquece |
Dá-me sabedoria, enfim.
Reveste-me da tua justiça.
Dá-me o teu Amor no servir.
Dá-me a tua bravura.
Aponta-me o caminho.
... E livra-me sempre de mim
Karla Mello
OST: Brad Kunkle
OST: Brad Kunkle
sábado, 23 de setembro de 2017
O mEdO é uMa gOtEiRa
o medo é tal goteira
que pinga e pinga nos pensamentos
e que enfraquece a minha certeza
dos caminhos aonde levas-me tu
e embaraçam-me os sentimentos
revoltos como em correnteza.
e os teus pequeninos todos
os que têm fome e encontram-se agora
todos os dias e em todas as horas
embriagados de dores submersas suas
e as mulheres perdidas nas curvas
suas e da vida, efêmeras: vida e curvas...
vida que dói e que grita
e eu penso neles e no mundo demais
e tu criaste todas as coisas
e à mim... ser tão confuso teu
dá-me forças, pai, dá-me forças
o mundo faz barulho ensurdecedor.
ergue, desta tua flor, a haste
para que eu volte lá como me ensinaste
quando tu, por amor, me chamaste.
torna-me na mais pequenina
que a forma de amar seja flor
mesmo com cara de espanto e de dor
fortalece, assim, o meu espírito
traz humildade ao meu coração
traz sempre muita gratidão
aponta-me lugares de servidão
aonde tu possas transformar-me, por amor
em tua estendida mão.
e a goteira que pinga e pinga
do medo nas minhas fraquezas
transforme-se em fresco orvalho
na face minha e da outra flor
na face dos filhos teus
e seja aos que sentem, da vida, o cansaço
repouso... refúgio... abraço... agasalho.
dá-nos verdade.
dá-nos coragem
para vivermos a tua verdade.
livra-nos de nós, pai... por amor
livra-nos de nós.
e lembra-me que eu nunca estarei só.
Karla Mello
OST: Alysia Monks
sexta-feira, 22 de setembro de 2017
Por Trás do Espelho
pesado "caber"
insano.
solidão de papel
machê
que desfez-se
na água onde o Amor
É veste.
troquei todas as
(in)certezas
pela leveza que traz
- da cor da paz -
a queda do pano.
da máscara.
em frente ao meu EU
espelho.
traspasso-o
esqueceste-o
morreste-o
amaste-me
não vivo mais eu em mim
e me trouxeste as vestes da menina
num recomeço - fino tecido
do que é renascer menina em ti.
" Eu faço todas as coisas novas! "
e sou filha tua, pequena
florzinha do campo tão amada tua
e porque tanto me amas assim
Amor e perdão tu bordas em mim
para que outros possam ver em nós
a tua misericórdia sem fim
........ segures a minha mão e não soltes.
e não permitas que eu perca-me do teu amoroso olhar para mim.
Karla Mello
OST: William Adolphe Bouguereau
insano.
solidão de papel
machê
que desfez-se
na água onde o Amor
É veste.
troquei todas as
(in)certezas
pela leveza que traz
- da cor da paz -
a queda do pano.
da máscara.
em frente ao meu EU
espelho.
traspasso-o
esqueceste-o
morreste-o
amaste-me
não vivo mais eu em mim
e me trouxeste as vestes da menina
num recomeço - fino tecido
do que é renascer menina em ti.
" Eu faço todas as coisas novas! "
e sou filha tua, pequena
florzinha do campo tão amada tua
e porque tanto me amas assim
Amor e perdão tu bordas em mim
para que outros possam ver em nós
a tua misericórdia sem fim
........ segures a minha mão e não soltes.
e não permitas que eu perca-me do teu amoroso olhar para mim.
Karla Mello
OST: William Adolphe Bouguereau
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Deixa Estar
Fico menina e gosto
De escutar a conversa entre
O pai e o meu Pai do Céu
| Foi O meu Pai quem mo deu |
Largou-me passarinho com a asa quebrada
Menina passarinho sem jardim
Bem na porta da Tua Casa
Sem ser flor e sem ser nada.
Passarinho, também era não...
Este querer ser, eu dei-me, então
Para poder caber na palma da tua mão.
E eu gosto da intimidade
Que brota da palavra | mente:
Do meu Pai em comunhão com o outro
E faz brotar Vida da Água corrente
Daquela que sacia toda a sede
Dos perdidos.
E esparramam-se pelo mundo dos sem chão
Lindas Dores-Flores nascem em botão
| Dores-Flores é uma flor que inventei eu
Gosto de inventar flores... E pasarinhos meus |
O meu Pai me deu o pai
Não... não é daqueles de verdade
Do amor humano e nem da carne
Nem das complicações da gente grande
É o pai (des)Colorido...
Colorida | mente... um bavo!
Visão multifacetada | mente
Sobretudo, sobre tudo.
E que Ama como criança
Braços abertos aos que chegam
Porto seguro aos que choram
Refúgio aos Seus execrados, Pai.
Diferente | mente... Diferente...
E eu, tão esquisita | mente.
Sem caber... Tão sempre desadequada | mente.
Fico menina e gosto
De escutar falar o pai
Sobre as maravilhas de meu Pai do Céu.
Despetalo-me em bem me quer
A misturar Pai com pai em Verdade
P'ra depois (des)misturar, resulta
Num imenso colorido na chuva
Que desbota... em vindoura saudade
Dessas que dói e a gente olha
E que não é física e nem tem idade, nem nada.
Deixa ir... Deixa estar...
Não prometo, para trás, não olhar
E acenar a saudade molhada
Com a chuva que brota do olhar.
Vou de coração amoroso e grato
Com a minha Paz... Não nos outros.
A Paz que só Dele provém.
Flor menina crescida enfim.
E eu sei... Eu bem sei que sim...
Que o meu Pai prepara um lindo jardim
| Por Um Amor que eu não compreendo... |
Para mim.
Karla Mello
OST: Iris Scott
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
Do Azul
Azul do aquário
Peixinho preso
Vi num outro dia
Nas páginas quase felizes
Do mundo imaginário
De dores no armário
Embutido.
Azul do que é
No céu da minha pátria
E de todos os céus
Das cenas tristes ou hilárias
Do mundo vivido
Das dores encerradas
Dos olhos cerrados
Do amor mal vivido.
Azul do que sou
No silêncio da lucidez
Pensam todos que muito falo
Mas se estou lúcida, calo
Sob a voz que, reflexiva, fala
Que minh'alma cala
Do mundo que fui
Das dores que causei
Do tanto que, equivocado
Andei e Amei:
Amada.
Amados... Amemos.
Peixinho preso
Em seu mundo azul.
O mundo é maior
Do que todo o azul de Amar.
Do que todo o azul do céu
Quando abraça o mar.
Karla Mello
Imagem: Google
domingo, 13 de agosto de 2017
A Menina Que Inventava Passarinhos
Ela sempre, sempre gostou
De inventar vôos e passarinhos.
Ainda menina, bem pequenina
Transformava gaviões em brancas pombas
E, assim, ela encontrava pouca paz
Mesmo que fosse um tempo tão fugaz.
Cresceu confundindo passarinhos
Desistiu e resolveu (re)nomeá-los
De acordo com o seu significado.
Isto trazia muito mais sentido
Às suas vestes, de sonhos bordados.
Não é que ela quisesse fugir
Nem fingir que não os reconhecia
Mas é que era mais amoroso
Caber um passarinho numa prece
Ao Pai do Céu, que nunca a esquece.
E da gratidão por ser Sua flor
Pelo pouso leve de um Beija-Flor
Que, um dia, ela mesma inventou.
Beija-flor que espalha, paciente
De frágil em frágil, quase morta flor
O néctar dO Teu Santo Amor
E nO Teu Amor.. Viva estou, Tua flor
Meu Senhor.. Meu Senhor..
Guarda em Tua proteção e Amor
O meu passarinho Beija-Flor.
O meu passarinho Beija-Flor.
.. dizem que ela sempre ora ao Pai por este passarinho que ela inventou.
Karla Mello
OST: Carmen Guedez
OST: Carmen Guedez
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Tu És
Tu És em mim
Em cada abraço e sorriso que eu dou
Em teu lugar de misericórdia e graça.
E cá dentro é escombro
De arquiteturas sonhadas por mim
Na mocidade de fogos de artifícios
E tão fugazes quanto,
Sem o teu chão bordado
De estrelas e lua dos loucos...
Dos improváveis teus.
Sonhos pueris e trôpegos
Fúteis e refutáveis
Desfeitos em teu perfeito Amor.
Se permaneces em mim
És sentido e sentimento à flor da pele
E posso ser flor tua
A ser ofertada por ti
De uma outra forma (des)humana
De forma plena... terna... eterna
Em todos os imperfeitos abraços meus.
Abraços são encontros de imperfeitos
Sedentos de que o teu perfeito Amor
Derrame-se bem no meio
Dos corpos perdidos que encontram-se,
Do instante do (des)encontro,
Para tornarem-se num Amoroso encontro
Em ti.
Dá-me mais desta loucura e coragem
Que é viver para ti.
Traz tudo teu e faz morada aqui por dentro
Ilumina tudo para que eu exale-te.
Desprende-me de mim e solta-me
No ar... No mundo... Nos becos dos perdidos
Deixa-me sem chão e sem ar!
Sufoca-me de ti para que eu grite
Aos que necessitam ouvir
Como eu...
A tua voz que ninguém cala.
Transformada em ti numa flor de Lotus estou.
Banhada em tua Água Viva e sedenta sinto-me
De ti .. a ser ofertada eu por ti ..
Aos imperfeitos teus e eu
Por Amor de nós.
Por tanto Amor que ninguém explica.
Por tanto Amor que eu, por vezes, duvido.
- Perdoa-me! -
Por tanto Amor que eu não alcanço.
Por tanto Amor que nos alcança.
Fica e desfaz todas as pétalas!
Para que eu te sirva, ó meu senhor!
E em cada pétala... possa eu ser...
Em ti... um beijo terno teu
A pairar na brisa fresca tua
Que refrigera e pacifica.
Sê no âmago mais profundo
Dos que ainda não te conhecem.
Ajuda-me!
…........ confusa filha tua eu sou...
mais pequenina tua.
Mas Tu És
a mão que me sustenta:
flor despetalada tua
nas ruas do tempo...
nos campos imperfeitos...
nos escombros da morta.
na Luz que me trouxeste...
Do teu perfeito Amor.
.. pétala | beijo teu ao vento .. dá-me a tua direção .. ajuda-me.
Karla Mello
sábado, 8 de abril de 2017
Vitrinas e Espelho
E é tanta gente com caras e bocas
E cenas e pseudo-amores e carros e roupas.
E o sol! ... O pano de fundo é|go sol!
Se é verdade ou mentira, pouco me interessa.
É o que vejo no meu campo visual: esquisito.
Sou um ser esquisito.
É o que vejo no meu campo visual: esquisito.
Sou um ser esquisito.
Eu quero florescer em qualquer estação
Sem razão de ser... Eu tenho pressa!
Eu não quero "status quo" debaixo do sol
O meu nome está escrito num lugar maior!
Quero morar... E padecer
De tanto Amar
Na tua simpliCidade de ser
O que eu puder ser.
Cansada das vitrinas de emoção.
Quem me olha, não me vê.
Quero sentir tudo aqui bem dentro
Do meu tolo coração.
E andar com gente sofrida e rotulada
Eles são teus! Estes são "eus"!
Eles são teus! Estes são "eus"!
- Espelho, espelho meu!
Os esquecidos!
Os bem lembrados!
E rirmos juntos...
Até doer a barriga.
Até sararmos ou não
A ferida.
... Cansada das vitrinas de emoção.
Karla Mello
OST: Alyssa Monks
Amor Sem Mim
Questiono-te
Rasgo o verbo e as vestes minhas
Despenteio minhas idéias todas
Sobre ti.
E choras tu comigo... Eu sei que sim.
E eu arrependo-me tanto e tanto...
E, na certeza do teu Amor sem fim,
Descanso no teu Amor...
Porque tu me criaste assim.
O que queres, então, tu de mim?!
Eu, teu ser medonho e arredio
Das trevas donde foste buscar-me à luz
Filha cansada e ingrata
Desgraçada e cega da tua tamanha graça
E Amas a todos os que gritam
Com fome e sede, o teu santo nome!
E os doentes da alma... Todos os loucos!
… Soltos no mundo – prantos - e não são poucos!
Lamacentos porcos e eu!
Mas como assim?!
E o que fizeram de mim?!
E o que eu fiz de mim?!
E o que eu fiz, nos outros, de ti?!
Mastigo tudo com o pensamento
Cheio de dentes e língua ferina
E faço de conta que esqueço.
Não engulo... Tento ficar menina
Com olhar perdido no tempo
Mas engasgo com a água do choro.
E vomito tudo o que é morno.
Agonizo com a companhia do lado.
Talvez seja até mais sincero:
Diz com a boca o que o meu silêncio não diz.
E eu tão cega e também só vejo à mim
E eu queria mesmo era retornar à tua casa
E no teu abraço, poder dormir.
Dá-me lucidez sobre a pequenez de mim!
Sou tua e centelha da tua luz
Que tu acendes com o teu Amor e iluminas
E cicatriza... Toda a dor é finda.
E afagas em meu peito a certeza
De que apenas tu não desistes de mim.
E se eu tenho o teu Amor para mim...
Do que posso sentir falta, enfim?!
Ensina-me, pai... Ensina-me...
Como se Ama sem se merecer
Assim... Como tu me Amas à mim.
Dá-me deste Amor lúcido e febril
Dá-me deste Amor pueril
Água da vida, pura de beber
Antes de eu enlouquecer...
Para que eu nunca mais sinta sede
Dos beijos e abraços ternos
Desses que não se quer nada em troca
E que nada se faz por merecer.
E que eu nunca, sequer, pude conhecer.
... Desses que tu me dás desde sempre
Mesmo que eu não sinta consciente.
O meu Amor, meu senhor, Tu sabes...
Será sempre imperfeito e mesquinho, deficiente.
Questiono-me.
| Perdoa-me, pai... |
Silencio o verbo e miro as vestes e a cruz.
Envergonho-me e enojo-me de mim.
E recomeças a arrumar as minhas idéias todas
Sobre mim.
Tu enxergaste algo em mim.
E o teu Amor ergue-me e me conduz, Jesus.
És o meu Amor puro... Singelo.
És o meu Pai e minha Mãe e tudo o que é vazio.
És o meu Amor ideal... Nunca tardio.
És o meu Amor sem mim.
És o meu amor sem fim.
Karla Mello
OST: Nik Helbig
Rasgo o verbo e as vestes minhas
Despenteio minhas idéias todas
Sobre ti.
E choras tu comigo... Eu sei que sim.
E eu arrependo-me tanto e tanto...
E, na certeza do teu Amor sem fim,
Descanso no teu Amor...
Porque tu me criaste assim.
O que queres, então, tu de mim?!
Eu, teu ser medonho e arredio
Das trevas donde foste buscar-me à luz
Filha cansada e ingrata
Desgraçada e cega da tua tamanha graça
E Amas a todos os que gritam
Com fome e sede, o teu santo nome!
E os doentes da alma... Todos os loucos!
… Soltos no mundo – prantos - e não são poucos!
Lamacentos porcos e eu!
Mas como assim?!
E o que fizeram de mim?!
E o que eu fiz de mim?!
E o que eu fiz, nos outros, de ti?!
Mastigo tudo com o pensamento
Cheio de dentes e língua ferina
E faço de conta que esqueço.
Não engulo... Tento ficar menina
Com olhar perdido no tempo
Mas engasgo com a água do choro.
E vomito tudo o que é morno.
Agonizo com a companhia do lado.
Talvez seja até mais sincero:
Diz com a boca o que o meu silêncio não diz.
E eu tão cega e também só vejo à mim
E eu queria mesmo era retornar à tua casa
E no teu abraço, poder dormir.
Dá-me lucidez sobre a pequenez de mim!
Sou tua e centelha da tua luz
Que tu acendes com o teu Amor e iluminas
E cicatriza... Toda a dor é finda.
E afagas em meu peito a certeza
De que apenas tu não desistes de mim.
E se eu tenho o teu Amor para mim...
Do que posso sentir falta, enfim?!
Ensina-me, pai... Ensina-me...
Como se Ama sem se merecer
Assim... Como tu me Amas à mim.
Dá-me deste Amor lúcido e febril
Dá-me deste Amor pueril
Água da vida, pura de beber
Antes de eu enlouquecer...
Para que eu nunca mais sinta sede
Dos beijos e abraços ternos
Desses que não se quer nada em troca
E que nada se faz por merecer.
E que eu nunca, sequer, pude conhecer.
... Desses que tu me dás desde sempre
Mesmo que eu não sinta consciente.
O meu Amor, meu senhor, Tu sabes...
Será sempre imperfeito e mesquinho, deficiente.
Questiono-me.
| Perdoa-me, pai... |
Silencio o verbo e miro as vestes e a cruz.
Envergonho-me e enojo-me de mim.
E recomeças a arrumar as minhas idéias todas
Sobre mim.
Tu enxergaste algo em mim.
E o teu Amor ergue-me e me conduz, Jesus.
És o meu Amor puro... Singelo.
És o meu Pai e minha Mãe e tudo o que é vazio.
És o meu Amor ideal... Nunca tardio.
És o meu Amor sem mim.
És o meu amor sem fim.
Karla Mello
OST: Nik Helbig
quinta-feira, 30 de março de 2017
Menina Grão de Feijão
Sinto-me um grão de feijão
Germinado nas águas tuas
Regado com as lágrimas tuas
E logo esquecido em qualquer lugar
Aonde tu me dizias para ficar.
Fui qualquer ser inesperado
Que tu não gostavas de carregar
Na casa que deveria ser minha
No peito que deverias me dar
E cresci com fome de tudo...
E ainda sem entender, no mundo, o meu lugar.
Eu odeio-te e amo-te tanto
Que para o meu próprio espanto
Pego-me com saudades de ti.
Olho de soslaio e vejo-te
Nos tantos descuidos de mim.
No meu sorriso e na minha face
Que dizem lembrar a tua.
Queria mesmo assumir que sou maldita
E que não quero nada de ti sobre mim!
Prefiro ser a filha da rua.
O que posso eu sentir por ti?!
Valha-me, meu Pai do Céu!
Quanto mais busco-me, mais encontro-vos!
Dois insanos!
Dois imundos e também eu!
E o caos adoecido de onde eu vim.
Nas ordens equivocadas que eu obedeci.
Na tua vida mentirosa, jeito quase terno
No teu colo que deveria ser materno.
Guardo o julgo...
Silencio, oro e choro.
Eu apenas queria compreender.
Há quem diga que algumas coisas não são feitas
Para o nosso humano entendimento ser.
E, decerto, esta nossa vida,
- minha e tua -
É uma das tantas coisas incabíveis
Inconcebíveis, inacabadas e fogem-me.
E estancam-me o riso.
E arrancam-me a consciência sobre tudo.
Procuro lidar bem com a verdade
Que me bate ainda na face menina
Tu eras grande demais para mim, tão pequenina.
Ocupava muito espaço a tua dor.
Tu eras o centro da tua própria vida.
Foste uma escrava morta-viva
Com sorriso no rosto e batom carmim
E todas as ordens prontas sobre os saltos
E olhares de ajustes para mim.
Sinto-me um grão de feijão
Menina na palma da Mão
Daquele que me Ama desde sempre
E que sabe tudo sobre mim.
| dois passos para trás eu dou.
para que eu possa livrar-me de vós.
sobe-me o vômito e eadoeço a minha carne um pouco mais
para que eu possa conhecer-me e crescer.
porque a vós... eu já farto-me de (re)conhecer demais |
Hoje eu queria voltar para Casa, Pai ..
Deixa-me descansar, meu Senhor, no regaço Teu
Deste inferno onde eu nasci e não compreendo
Deste inverno rude que é ser eu.
Ensina-me a esquecer-me de mim
Para cuidar de tudo o que é Teu.
Karla Mello
OST: Imagem Google
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
Testemunho
Se cansada: dou luta.
Se choro: louvo.
Se está difícil: repouso.
Se estou quieta: acordo.
Se estou Paz: doo.
Se estou tumulto: ausento-me.
Se estou silêncio: falo.
Se estou no foco: saio.
Se sinto fome: alimento.
Se estou alimento: fujo.
Se facilitam: espreito.
Se dificultam: agradeço.
Aos "dias de glória": as piores noites.
Aos dias difíceis: a veste mais bonita.
Aos que Caminham: sigo.
Aos que perdem-se como eu: oro e choro.
Aos que Te encontram: escuto e guardo.
Aos desencontros: abraço.
À mim: negação.
À Ti: afirmação da minha negação.
| Testemunho sobre o Teu Amor que nunca muda |
E o êxtase da loucura santa do desprendimento que provém de Ti!
- Água de saciar a minha sede -
Que é a gana de andar no mundo, sempre na contra-mão.
… Bicho solto no mundo eu sou – Tua sem nunca caber.
Dá-me de beber, ó Pai... Dá-me de beber.
E livra-me de mim.
Karla Mello
OST: Célio Nunes
Se choro: louvo.
Se está difícil: repouso.
Se estou quieta: acordo.
Se estou Paz: doo.
Se estou tumulto: ausento-me.
Se estou silêncio: falo.
Se estou no foco: saio.
Se sinto fome: alimento.
Se estou alimento: fujo.
Se facilitam: espreito.
Se dificultam: agradeço.
Aos "dias de glória": as piores noites.
Aos dias difíceis: a veste mais bonita.
Aos que Caminham: sigo.
Aos que perdem-se como eu: oro e choro.
Aos que Te encontram: escuto e guardo.
Aos desencontros: abraço.
À mim: negação.
À Ti: afirmação da minha negação.
| Testemunho sobre o Teu Amor que nunca muda |
E o êxtase da loucura santa do desprendimento que provém de Ti!
- Água de saciar a minha sede -
Que é a gana de andar no mundo, sempre na contra-mão.
… Bicho solto no mundo eu sou – Tua sem nunca caber.
Dá-me de beber, ó Pai... Dá-me de beber.
E livra-me de mim.
Karla Mello
OST: Célio Nunes
Superfície
superfície
eu quero a superfície
das coisas
do mundo
e de mim.
eu não aguento-me
debaixo
da minha superfície
insana e
questionadora.
duvidosa,
ruidosa eu
e o mundo
e debaixo: tudo chora.
debaixo da superfície
eu não encontro mais quase nada.
e, antagonicamente,
vivemos todos
na superficialidade
das coisas e momentos,
e pessoas.
- copos descartáveis com bebida barata.
superfície
eu quero a superfície.
ela não grita,
não chora e não tem cor.
é órfã
tanto quanto eu sou.
adaptável
na minha egoísta e simplista
superfície.
… debaixo da minha superfície há uma mulher que chora e sente medo.
sou um transeunte... na minha esquisita e colérica superfície.
Karla Mello
Pintura em Spray: David Walker
eu quero a superfície
das coisas
do mundo
e de mim.
eu não aguento-me
debaixo
da minha superfície
insana e
questionadora.
duvidosa,
ruidosa eu
e o mundo
e debaixo: tudo chora.
debaixo da superfície
eu não encontro mais quase nada.
e, antagonicamente,
vivemos todos
na superficialidade
das coisas e momentos,
e pessoas.
- copos descartáveis com bebida barata.
superfície
eu quero a superfície.
ela não grita,
não chora e não tem cor.
é órfã
tanto quanto eu sou.
adaptável
na minha egoísta e simplista
superfície.
… debaixo da minha superfície há uma mulher que chora e sente medo.
sou um transeunte... na minha esquisita e colérica superfície.
Karla Mello
Pintura em Spray: David Walker
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
Sobre o Teu Silêncio Fecundo
Eu não te sinto
E há dias assim.
E perco-me no meu humano desamor
E encontro-me e tão somente
No teu perfeito amor.
| ele tão cheio de razões para;
eu tão cheia de razões para não parar.
ele tão cheio de conceitos;
eu tão cheia de dúvidas.
ele tão cheio de “amanhãs”
eu tão entregue à minha dor do hoje.
ele tão impaciente.
eu apenas observo e calo
a minha boca maldita |
Laceram-me o coração os gritos
Que vêm do outro lado do bosque.
A dona do meu espelho chora
Empática à sua dor, choro e oro.
É prima irmã da minha dor
De outrora.
Escapam-me lágrimas no abraço
Àquela que sente o meu cansaço
De outrora.
De caber nos julgamentos alheios
Mas pertencemos, juntas, então
Ao grande amor daquele que há de vir:
Aquele que nos consola
E que nunca nos vira as costas.
Único. Amor profundo.
Ele é tudo e seu é todo o mundo.
Aflita e eu não te sinto.
Ambígua inquietação e paz:
Inquietação com as coisas do mundo;
Paz que não é deste mundo
E que reside entre um respirar e outro.
E eu não quero mesmo caber
Nos adjetivos tantos do mundo.
Sou tua e adormeço profundo
Na tua paz que a minha alma inunda.
Descanso em teu silêncio fecundo.
Eu não te escuto.
Há dias assim.
Peço que tu sonhes com os meus sonhos:
Frágil encontro-me.
Dá-me um coração obediente.
Eu não te escuto.
Eu sei que tu afagas os meus pensamentos infecundos.
… Repouso quieta em teu silêncio profundo.
Karla Mello
OST: Google não forneceu o nome do Artista
E há dias assim.
E perco-me no meu humano desamor
E encontro-me e tão somente
No teu perfeito amor.
| ele tão cheio de razões para;
eu tão cheia de razões para não parar.
ele tão cheio de conceitos;
eu tão cheia de dúvidas.
ele tão cheio de “amanhãs”
eu tão entregue à minha dor do hoje.
ele tão impaciente.
eu apenas observo e calo
a minha boca maldita |
Laceram-me o coração os gritos
Que vêm do outro lado do bosque.
A dona do meu espelho chora
Empática à sua dor, choro e oro.
É prima irmã da minha dor
De outrora.
Escapam-me lágrimas no abraço
Àquela que sente o meu cansaço
De outrora.
De caber nos julgamentos alheios
Mas pertencemos, juntas, então
Ao grande amor daquele que há de vir:
Aquele que nos consola
E que nunca nos vira as costas.
Único. Amor profundo.
Ele é tudo e seu é todo o mundo.
Aflita e eu não te sinto.
Ambígua inquietação e paz:
Inquietação com as coisas do mundo;
Paz que não é deste mundo
E que reside entre um respirar e outro.
E eu não quero mesmo caber
Nos adjetivos tantos do mundo.
Sou tua e adormeço profundo
Na tua paz que a minha alma inunda.
Descanso em teu silêncio fecundo.
Eu não te escuto.
Há dias assim.
Peço que tu sonhes com os meus sonhos:
Frágil encontro-me.
Dá-me um coração obediente.
Eu não te escuto.
Eu sei que tu afagas os meus pensamentos infecundos.
… Repouso quieta em teu silêncio profundo.
Karla Mello
OST: Google não forneceu o nome do Artista
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Febre
Cruzam-se os ponteiros do relógio
E ora é noite que perpassa o dia...
Sem nem sequer dar um bom dia.
E as minhas pernas cruzam-se e quase pensam.
Cruzam-se fronteiras e antevejo o abismo.
E esta febre que não passa.
Dedos por entre os meus cabelos
Embaraçados e ainda os pensamentos.
Cruzam-se pessoas nas ruas em passos apressados
E o Outono acaba de cruzar com o Inverno.
Folhas molhadas enfeitam-se ao assobio do vento
E esta febre que não passa.
Carros e pessoas avançam os sinais.
Sinais ignoram a razão.
Sinais.
E esta febre que não passa.
Estúpidos ponteiros do relógio.
Vida estática na parede da quase morta:
Escuto uma febre insolente... que pulsa.
Karla Mello
OST: Alyssa Monks
E ora é noite que perpassa o dia...
Sem nem sequer dar um bom dia.
E as minhas pernas cruzam-se e quase pensam.
Cruzam-se fronteiras e antevejo o abismo.
E esta febre que não passa.
Dedos por entre os meus cabelos
Embaraçados e ainda os pensamentos.
Cruzam-se pessoas nas ruas em passos apressados
E o Outono acaba de cruzar com o Inverno.
Folhas molhadas enfeitam-se ao assobio do vento
E esta febre que não passa.
Carros e pessoas avançam os sinais.
Sinais ignoram a razão.
Sinais.
E esta febre que não passa.
Estúpidos ponteiros do relógio.
Vida estática na parede da quase morta:
Escuto uma febre insolente... que pulsa.
Karla Mello
OST: Alyssa Monks
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Flor da Amizade
Semeou bravura
- Chão meu sem forças -
Sem perder de vista
A humilde ternura.
Necessárias são
As palavras "duras" - pão
E alimentou-me o irmão
E regou o meu sem chão.
E foi toda a candura
E a semente regou
Terra seca da quase louca
Girando em si mesma
Com a fé gasta e pouca.
Brotou do medo
Frágil botão
Nas terras de outrora
Áridas
Do meu coração.
Linda é a Flor da Amizade.
Poucos a têm.
Esta não possui endereço
É ausência de espaço
E tempo ...
É etérea ... É eterna
É gentileza e bondade.
.... um dia também chamar-se-á Saudade.
Karla Mello
OST: Omar Ortiz - "Salto de Fé"
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Orfandade
Então me abraces
E o encontro dos nossos
Medos
Flutuará sem chão,
Sem teto,
Sem mãe.
Nós...
Os dois:
Numa orfandade faminta
De vida.
Quase incólumes.
Apenas e só
No instante do abraço.
Andamos mesmo,
Ultimamente,
A marcar desencontros
Com as palavras.
E estes desencontros
Consistem numa certa
Delicadeza infinita
Que testemunha
O céu azul das nossas
Bocas em silêncio.
Karla Mello
OST: Philipp Weber
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Poeme-se
Poeme-se!
Desajuste-se
Do mundo!
Não caiba!
Só na camiseta.
Não cale-se!
Não guarde-se!
Use-se!
Inteira!
Nunca morna!
Nos vértices
Da alma
Levite-se!
Desarme-se!
Ame-se!
Ame muito!
Ame tudo!
Ame a todos!
Arme-se...
Com flores
Nos cabelos!
Nas palavras!
Nas atitudes!
Abrace!
Solte-se!
Pense!
Espalhe-se
Em rimas!
Sem rimas!
Supere-se!
Sê livre!
Transforme-se
Em armas do céu!
Em armas de versos!
Poeme-se!
Karla Mello
Fotografia: arquivo pessoal
Desajuste-se
Do mundo!
Não caiba!
Só na camiseta.
Não cale-se!
Não guarde-se!
Use-se!
Inteira!
Nunca morna!
Nos vértices
Da alma
Levite-se!
Desarme-se!
Ame-se!
Ame muito!
Ame tudo!
Ame a todos!
Arme-se...
Com flores
Nos cabelos!
Nas palavras!
Nas atitudes!
Abrace!
Solte-se!
Pense!
Espalhe-se
Em rimas!
Sem rimas!
Supere-se!
Sê livre!
Transforme-se
Em armas do céu!
Em armas de versos!
Poeme-se!
Karla Mello
Fotografia: arquivo pessoal
Verdades e Alegorias
Eu não acredito mais em ti.
Nesta tua roupa engomadinha
E quase perto do “perfeitinho”.
Preferia eu aquela roupa
Que vestias tu
quando encontraste-me.
E estavas tu
todo amarrotado e eu.
Desbotados
Desprovidos de conceitos
Sobre tudo e sobre nós.
E estavas tu
Incandescente!
Do Amor de todas as mãos dadas.
E estavas tu
tão cansado
do homem "ser" e ainda eu.
E vestias tu
todas as verdades tuas
E eu ainda todas as minhas.
E mesmo amarrotadas
Eram amarrotadas verdades nossas.
Amei todas as tuas
amarrotadas vestes da verdade
que combinavam com as minhas
verdades e alegorias.
Karla Mello - "Verdades e Alegorias"
OST: Marcio C
Horizonte Meu
sêlo em meu rosto
de mãe
o beijinho teu
e coloridos ficam
os dias meus.
foi que emoldurei
tu:
horizonte meu
na parede minha.
e tracei
horizontes de Amores
dos beijinhos teus.
Karla Mello - "Horizonte Meu"
Fotografia: arquivo pessoal
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Da Complexidade do EU
tento racionalizar
o lufar da porta entreaberta.
grão de areia partido em pedaços:
fragmentados pensativos eu's.
breve o eu
compacto.
suprimido e complexo
como o instante da morte.
como o sopro da Vida.
qualquer coisa contemplativa
que impulsiona a respiração
como no instante da criação
de toda a Arte:
de eu's compilados...
desarrumados e antagônicos
que ecoam
gritos das paredes
mudas.
... e apenas Ele escuta ...
Karla Mello - "Da Complexidade do EU"
Imagem: Google
Dia de Cão
Criamos as antíteses e refletimos
E fazemos cálculos e caras e bocas
E poses de fotografias
E publicamos ao mundo
Teses sobre as Tuas ternas flores.
E fazemos cálculos e caras e bocas
E poses de fotografias
E publicamos ao mundo
Teses sobre as Tuas ternas flores.
Decidimos qual
a “frase” do momento
Sentida e creditada por “não sei quem”.
E estamos sempre na Tua contra-mão
Quando deveríamos mesmo ser mudos.
E são tantas as “bandeiras” e “teses”...
Teses sob as Tuas humanas mentes
Doentes! .. Todas doentes!
E não nos esforçamos em quebrar fronteiras
Nossas!
Que nos impedem de Amar os diferentes
De nós.
Nós somos os modelos!
Mas quebramos todas as fronteiras
Dos cobiçados continentes
E matamos mulheres!
Crianças!
Abandonamos os nossos!
E os nossos velhos
Que contam histórias sobre nós.
Conseguimos desculpas para tudo
Paramos tudo
Para que passe a nossa vaidade.
E o "desfile" tem que ser em larga avenida...
Senão, não cabe.
Mundo caos e eu!
E somos “suficientemente bons” em quase tudo.
E eu queria ser insuficiente!
Dessas que não coubessem
Em nenhum padrão de Amar.
Insuficientes somos sem Ti, ó Pai!
Não há um justo sob o Teu indecifrável Céu
Que bordaste Tu com primor por Amor
A nós! Seres indigentes!
E a Lua! Nua! - não necessita pudor.
Ela está para todos os loucos
Que param o seu tempo
Apenas para contemplá-la.
Hoje eu acordei cansada...
De mim.
Não quero a face do espelho.
Dia de cão.
Hoje eu suicidei-me novamente
Em Ti.
Ó luta sem fim!
Karla Mello
OST: Jeremy Mann
Sentida e creditada por “não sei quem”.
E estamos sempre na Tua contra-mão
Quando deveríamos mesmo ser mudos.
E são tantas as “bandeiras” e “teses”...
Teses sob as Tuas humanas mentes
Doentes! .. Todas doentes!
E não nos esforçamos em quebrar fronteiras
Nossas!
Que nos impedem de Amar os diferentes
De nós.
Nós somos os modelos!
Mas quebramos todas as fronteiras
Dos cobiçados continentes
E matamos mulheres!
Crianças!
Abandonamos os nossos!
E os nossos velhos
Que contam histórias sobre nós.
Conseguimos desculpas para tudo
Paramos tudo
Para que passe a nossa vaidade.
E o "desfile" tem que ser em larga avenida...
Senão, não cabe.
Mundo caos e eu!
E somos “suficientemente bons” em quase tudo.
E eu queria ser insuficiente!
Dessas que não coubessem
Em nenhum padrão de Amar.
Insuficientes somos sem Ti, ó Pai!
Não há um justo sob o Teu indecifrável Céu
Que bordaste Tu com primor por Amor
A nós! Seres indigentes!
E a Lua! Nua! - não necessita pudor.
Ela está para todos os loucos
Que param o seu tempo
Apenas para contemplá-la.
Hoje eu acordei cansada...
De mim.
Não quero a face do espelho.
Dia de cão.
Hoje eu suicidei-me novamente
Em Ti.
Ó luta sem fim!
Karla Mello
OST: Jeremy Mann
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
pOeMiNhA dE sAuDaDe
Saudade é borboleta
Liberta do casulo.
Casulo é a presença.
... Borboleta é a beleza da ausência.
Karla Mello
OST: Fabiano Millani
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Dança Com A Minha Morte
Nasci de retalhos do amor.
Foram em mim, costurados
Na carne humana e frágil
Dos lares equivocados.
Não gosto de ocupar lugares
Que forcem-me no meu horário
De rir ou chorar ou abraçar
Pois e se visto eu o cansaço
Seria eu, então, um armário
Desses que guardam máscara.
Desses que cheiram à mofo.
Gosto eu de tudo o que escancara.
Não gosto de lugares e títulos
Estragam o meu eu, já tão aflito.
Gosto de ser parceira... companheira.
Parceria nunca pede cativa cadeira.
Não gosto de falar p'ra gente
Gosto de aprender com Gente.
Estou aqui e acolá... não quero sempre estar.
Bom mesmo é deixar a saudade
Perfumar por si mesma, o ar.
Renasci de retalhos da dor
Lacerados num copo de vinho
Lacerados num pedaço de pão.
A fome da carne é um vão!
Farta é a cruz do perdão
Onde ele mostrou-me o Amor:
Face que brilha na noite
Mão que apascenta o açoite
Todos os dias a recomeçar.
- Mato-me todos os dias!
- Rio-me na cara da morte!
… E convido-a para dançar!
- Canto livre em cada golpe!
Morte voluntária de mim
Liberto-me de mim, enfim.
E que eu diminua tanto e tanto
E que eu escandalize o meu EU que olha
E grita diminuto a sua própria morte
- Descrente EU que acredita na sorte!
Miro o morto EU de soslaio...
Liberto-me de mim, enfim.
… Nasci do imutável Amor por mim.
Karla Mello
OST: Brad Kunkle
Foram em mim, costurados
Na carne humana e frágil
Dos lares equivocados.
Não gosto de ocupar lugares
Que forcem-me no meu horário
De rir ou chorar ou abraçar
Pois e se visto eu o cansaço
Seria eu, então, um armário
Desses que guardam máscara.
Desses que cheiram à mofo.
Gosto eu de tudo o que escancara.
Não gosto de lugares e títulos
Estragam o meu eu, já tão aflito.
Gosto de ser parceira... companheira.
Parceria nunca pede cativa cadeira.
Não gosto de falar p'ra gente
Gosto de aprender com Gente.
Estou aqui e acolá... não quero sempre estar.
Bom mesmo é deixar a saudade
Perfumar por si mesma, o ar.
Renasci de retalhos da dor
Lacerados num copo de vinho
Lacerados num pedaço de pão.
A fome da carne é um vão!
Farta é a cruz do perdão
Onde ele mostrou-me o Amor:
Face que brilha na noite
Mão que apascenta o açoite
Todos os dias a recomeçar.
- Mato-me todos os dias!
- Rio-me na cara da morte!
… E convido-a para dançar!
- Canto livre em cada golpe!
Morte voluntária de mim
Liberto-me de mim, enfim.
E que eu diminua tanto e tanto
E que eu escandalize o meu EU que olha
E grita diminuto a sua própria morte
- Descrente EU que acredita na sorte!
Miro o morto EU de soslaio...
Liberto-me de mim, enfim.
… Nasci do imutável Amor por mim.
Karla Mello
OST: Brad Kunkle
sábado, 26 de novembro de 2016
Da Bailarina Menina
Ela era uma bailarina
De uma valsa que apenas ela
Ousava, louca, bailar.
E trazia nos seus cabelos
Uma tiara da cor do arco-iris
E a saia toda bordada
Com estrelas cintilantes de ponta
E ainda a sapatilha
Que calçava apenas um pé.
O outro par ela perdeu por aí...
Enquanto tentava, erguida
Nela mesma equilibrar.
Ela era apenas menina
Que amarrou um barbante gigante:
dos seus pensamentos tontos,
até a Lua que se esconde.
E prendeu no barbante uma tábua
E fez um balanço brincante...
E balançou até vomitar.
… Há quem a tenha visto à balançar
E ainda a bailar na alva Lua minguante
Iguais aos seus sonhos de instantes.
Ela era mais uma passante
Deste mundo caos ofegante
De “redes” e fotos estanques
De sorrisos em fotos congelados
De momentos, por vezes, errantes
Que fazem barulho constante
De mortos-vivos que andam distantes
Pelas ruas à procura de um abraço
Que cabe, de certo, no laço
Do seu braço que cruza no espaço...
Noa ar... À formar um abraço.
Ela era uma bailarina
Sem graça a buscar uma rima.
A dançar sem platéia ou aplauso
No silêncio da noite tão sua...
À balançar na minguante Lua
Sempre à espreitar a rua da noite
Que bem em meio ao açoite
Haja um sentimento par que estanque
O Amor sobre o mundo que dói - sua sina
Bailarina sonhadora menina...
… Ela é qualquer coisa esquisita...
Entre o acreditar nos sonhos e o acordar deles aflita.
Ela prefere prendê-los todos num bonito laço de fita.
Karla Mello
OST: Leonid Afremov
De uma valsa que apenas ela
Ousava, louca, bailar.
E trazia nos seus cabelos
Uma tiara da cor do arco-iris
E a saia toda bordada
Com estrelas cintilantes de ponta
E ainda a sapatilha
Que calçava apenas um pé.
O outro par ela perdeu por aí...
Enquanto tentava, erguida
Nela mesma equilibrar.
Ela era apenas menina
Que amarrou um barbante gigante:
dos seus pensamentos tontos,
até a Lua que se esconde.
E prendeu no barbante uma tábua
E fez um balanço brincante...
E balançou até vomitar.
… Há quem a tenha visto à balançar
E ainda a bailar na alva Lua minguante
Iguais aos seus sonhos de instantes.
Ela era mais uma passante
Deste mundo caos ofegante
De “redes” e fotos estanques
De sorrisos em fotos congelados
De momentos, por vezes, errantes
Que fazem barulho constante
De mortos-vivos que andam distantes
Pelas ruas à procura de um abraço
Que cabe, de certo, no laço
Do seu braço que cruza no espaço...
Noa ar... À formar um abraço.
Ela era uma bailarina
Sem graça a buscar uma rima.
A dançar sem platéia ou aplauso
No silêncio da noite tão sua...
À balançar na minguante Lua
Sempre à espreitar a rua da noite
Que bem em meio ao açoite
Haja um sentimento par que estanque
O Amor sobre o mundo que dói - sua sina
Bailarina sonhadora menina...
… Ela é qualquer coisa esquisita...
Entre o acreditar nos sonhos e o acordar deles aflita.
Ela prefere prendê-los todos num bonito laço de fita.
Karla Mello
OST: Leonid Afremov
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Da Janela Que Engoliu Um Bosque
Aprendi a conversar com o bosque.
Nos cumprimentamos, cedo, da minha
Janela da alma que sempre está
A orar e a cantar e a dançar!
E a falar sempre sozinha,
E ainda a cozinhar
Pensamentos e comidinhas
Orvalhadas de sonhar.
Aprendi a conversar com os passarinhos.
Nos cumprimentamos, cedo, da minha
Janela do céu de minha boca
Estrelada e que gosta de sorrir.
E ainda de soprar mil beijinhos
Bem para lá do além mar
Repletos de Amor e carinho.
Passarinhos sempre sabem, ao certo,
Quando eu estou a falar de ninho.
Sinto-me sozinha de gente.
Perto - gente que engole gente,
Gente que engole sonho,
Gente que aborta gente
Do coração...
Sem ter noção...
Do que aquece, em Verdade, um coração.
E eu ando, assim, a residir embaixo
Da sola do seu sapato – hiato
Fendas, eu e tu e entre as palavras nossas
O EGO de gente e sua dor é o seu
Mundo cego, mundo mudo, mundo torpe...
No seu solitário e triste vão recato.
Silencio e piso devagar por entre as fendas - hiato.
Aprendi a conversar com o bosque
Nos cumprimentamos, cedo, da minha
Janela ensolarada e fresquinha.
Ele sempre me diz de lá, alegre e verdinho:
- "Caminha firme... Caminha!"
Sempre respondo a sorrir... Levezinho.
Da minha janela que engoliu um bosque.
Na minha janela cabe um vasto
Mundo... Da minha janela.
Karla Mello
OST: Márcio Camargo
Nos cumprimentamos, cedo, da minha
Janela da alma que sempre está
A orar e a cantar e a dançar!
E a falar sempre sozinha,
E ainda a cozinhar
Pensamentos e comidinhas
Orvalhadas de sonhar.
Aprendi a conversar com os passarinhos.
Nos cumprimentamos, cedo, da minha
Janela do céu de minha boca
Estrelada e que gosta de sorrir.
E ainda de soprar mil beijinhos
Bem para lá do além mar
Repletos de Amor e carinho.
Passarinhos sempre sabem, ao certo,
Quando eu estou a falar de ninho.
Sinto-me sozinha de gente.
Perto - gente que engole gente,
Gente que engole sonho,
Gente que aborta gente
Do coração...
Sem ter noção...
Do que aquece, em Verdade, um coração.
E eu ando, assim, a residir embaixo
Da sola do seu sapato – hiato
Fendas, eu e tu e entre as palavras nossas
O EGO de gente e sua dor é o seu
Mundo cego, mundo mudo, mundo torpe...
No seu solitário e triste vão recato.
Silencio e piso devagar por entre as fendas - hiato.
Aprendi a conversar com o bosque
Nos cumprimentamos, cedo, da minha
Janela ensolarada e fresquinha.
Ele sempre me diz de lá, alegre e verdinho:
- "Caminha firme... Caminha!"
Sempre respondo a sorrir... Levezinho.
Na minha janela cabe um vasto
Mundo... Da minha janela.
Karla Mello
OST: Márcio Camargo
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Despetalada Flor-Dilacera
Despetalei a Flor
De onde eu fui
Botão.
E grão.
E não.
Haste sem pétalas
O dedo de tua mão
A ordenar.
E percebo melhor
O que foste tu
O que sou eu
E por onde vou
Seguir.
Lavei com água
Do choro
Daquela criança
Que ainda traz
A Flor trôpega
Com folha escrita
De tua reza
Que se desfaz.
Despetalei a Flor!
Descabelada estou!
Caule despido és!
E miro-te...
E miro-me.
E procuro o Amor
Ambíguo e nosso
Nos vestidinhos meninos
Em viés.
... Cresci! E ganhei olhos de ver!
Dor que dilacera!
Ampara-me!
- Silêncio -
Eu já não visto mais os teus equivocados retalhos.
Prefiro vestir os loucos versos... Remendos meus.
... Há quem diga que eu liberto-me neles.
E de todo o mais...
E das tuas tantas costuras...
Karla Mello
OST: Mike Dargas
terça-feira, 8 de novembro de 2016
TragoVersos
Trago Flores no cesto
- coração
-
Orvalhadas e gratas.
Trago versos
- frutos -
Cato palavras que caibam
No meu coração que Ama
O reverso.
Trago abraços
- recebidos -
Desses que abduzem almas doentes
E que gostam de estancar
Choro de gente.
Trago Amor
- endereçado -
Aos passantes que procuram
O par do sapato apertado
Que ninguém quer calçar.
Trago Aquele
- Eu Sou -
O que em todo o tempo É
A todos os que, como eu
Andam cansados de si.
Trago A Paz
- descanso meu -
Daquele que justifica
Daquele que nunca desiste
Daquele que por todos chora...
Daquele que a tudo assiste...
E refaz.
… Enchi o meu cesto com as suas Flores.
Estão todas em oferta àqueles a quem o mundo cospe a face e rejeita.
Orvalhadas e gratas.
Trago versos
- frutos -
Cato palavras que caibam
No meu coração que Ama
O reverso.
Trago abraços
- recebidos -
Desses que abduzem almas doentes
E que gostam de estancar
Choro de gente.
Trago Amor
- endereçado -
Aos passantes que procuram
O par do sapato apertado
Que ninguém quer calçar.
Trago Aquele
- Eu Sou -
O que em todo o tempo É
A todos os que, como eu
Andam cansados de si.
Trago A Paz
- descanso meu -
Daquele que justifica
Daquele que nunca desiste
Daquele que por todos chora...
Daquele que a tudo assiste...
E refaz.
… Enchi o meu cesto com as suas Flores.
Estão todas em oferta àqueles a quem o mundo cospe a face e rejeita.
Karla Mello
OST: Donald Zolan
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Confissão
Eis que aqui estou
Diante de meu pai
( Novamente e será sempre
Pois resides tu na minha adoecida mente
- Engavetado! -
- Engavetado! -
Que nem sequer à mim mente
Sobre a tua maldita e minha
Imunda semente )
A confessar-lhe em prantos
Que eu te odeio tanto!
Pois que violaste tu
Todo o meu encanto
Dos meus recantos meninos
Da minha boca em jasmim
Inocente flor de mim
Que era suposto ser
Aquilo que eu nunca fui:
florzinha do teu jardim.
Olho de soslaio
E vejo a tua descarada cara
De morto-vivo tão vivo
E o vômito sobe à minha boca
E sinto-me suja de ti!
... Violaste tu a minha boca menina!
E a minha condenação
É ter-te nas minhas veias
É ter-te na minha mente
E passeares e rires cínico
Nesta minha dor-solidão.
... Pobre menina indefesa!
Ninguém viu!
Ninguém ouviu!
Mas todos bradam e falam
Do seu caminhar torpe e vil!
… Escandalosa mulher que aos errados ama!
- Mas e o que era certo em teu amor por mim que clama,
para que fosse certo em meu amar que é breve chama?!
E lacera-se a garganta minha
Num grito de socorro antigo:
… Ninguém nunca ouviu!
Mas ainda replica
Mas ainda ressoa
Mas ainda ecoa
Mas ainda escorre
Pelo olhar
De filha consolada nos braços do pai
Este onde ela se sente
Limpa, leve, justificada.
Sua flor menina e amada.
Eu não preciso de ti.
E cuspo a tua cara maldita!
E entrego-te a todos os infernos meus!
A todos os descompassos meus!
A todas as dores minhas!
É tudo teu!
Brindas tu, então!
Nos infernos todos teus!
Do teu viver hébrio e parco.
Anárquico!
Da minha existência opaca...
Desta que, um dia, perdoa-te
E tão somente a ti.
… Confesso e repouso em teus braços, pai.
Amoroso e materno. Imutável e eterno.
Karla Mello
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Do Céu da Boca
E eu queria arrancar a "cara" do meu desejo...
E enfiar a minha "cara" de todos os "nãos" que eu nunca te dei...
Na tua cara!
No meio da nossa cama!
Nas tuas mentiras!
Nos lapsos de amores que me deste!
Restos!
Migalhei-os...
Todos!
Creditei-os...
Louca!
Eu orei por nós...
Estúpida embriaguez de outrora!
Estupida lucidez do agora!
Faz-me rir de mim mesma...
Faz-me chorar por mim, embora...
Sejas tu a minha sina...
Do amanhã... Do outrora...!
E de tanto amar-te... Esqueço-me.
E de tanto esquecer-me,
O tempo impiedoso desce o seu véu
Sobre o tudo quase nada de mim.
E o meu sorriso...?
Ele é um tolo!
Que anda trôpego... Por aí!
Dar-se a cumprimentar a todos!
E rir-se muito... E pouca é a verdade...!
Um sorriso tolo que pensa que é sorriso...
E que pinga gotas solitárias... nos tetos de mim
E nos bastidores do céu estrelado dos sonhos...
Dos desejos e tudo o que descabe...
No vão - céu da minha boca.
Karla Mello
OST: Alyssa Monks
Descom(passos)
Um passo atrás e sinto-me no chão e escorre-me sangue e vida
Sem escolhas e num beco estreito de mim
Sem chão e com segredo sem ouvinte
- "A pior de todas e já condenada ao fogo do inferno!"
E é inverno e faz frio e nada alivia-me da dor que lacera.
Chora a alma e engole o choro e o dolo
e guardo-o a partilhar com Deus.
Dois passos atrás e encontro-me com as minhas criancinhas
Todas atrás de mim a disputarem o meu colo e peito.
E sento-me no chão a ser menino e menina
Posso ser assexuada se com eles estou
Sou versos, rimas e cantigas de ninar
Sou ternura, proteção e coisa que ama,
que vai além de ser humana.
Três passo atrás e vestidinho branco de acácia
e laços vermelhos de fita gourgurão
presos lado a lado são dois... E acho graça
Olhos puxados dos laços apertados
e deve ser por isso que sou livre e quase nunca prendo os cabelos.
Gosto de brincar de crescer e sou tão tola
ainda procuro colo e estou sempre a olhar o medo de soslaio.
Um passo à frente e encontro-me trôpega e sem destino
Entretanto há porto e norte mas o destino... seria pedir muito à mim!
Não importa o destino e importo-me com o agora de mim.
Uno as pernas e alinho o pensamento e só tenho a mim
E resta-me apenas sonhar.
É tarde demais para desistir de crescer.
Karla Mello
OST: Jimmy Law
Da Indiferença
E era amor...
E de tanto amar
Pertinho do céu que é esta dor...
E nem era agosto...
E nem era frio.
Hoje, dor...
E nem é amor
E nem de pertinho é desgosto.
Indiferença, eis a face...!
Deste calafrio.
Karla Mello
OST: António Mendanha
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Versos Imprecisos
Alguém aprume os lemes
Deste meu sonhador olhar.
Barco e abraço
Meus
No desejo das
Profundas águas tuas
Da agonia quase feliz
Que é amar...
Somente por amar.
Alguém norteie a proa
Deste meu coração
Que navega na bruma
Do Inverno que é
Esquecer
A razão e as pernas
E boca são lemes
Que estão sempre a remar
Teimosamente...
Em tua direção.
Ó, meu bom timoneiro!
E esta febre que não passa.
E esta visão turva no novo!
Esta alegria quase pueril
Que a minha aflição
Brinda!
E velho tornar-se-á!
Todo o "novo" sempre finda!
| não existe novidade no amor |
O amor adoece e finda
E fica outra coisa qualquer
- com sorte ao mar -
Boa e grata em seu lugar.
... desculpa-me os versos cansados e imprecisos...
| o amor... é prenúncio do naufrágio |
Karla Mello
OST: Philipp Weber
Deste meu sonhador olhar.
Barco e abraço
Meus
No desejo das
Profundas águas tuas
Da agonia quase feliz
Que é amar...
Somente por amar.
Alguém norteie a proa
Deste meu coração
Que navega na bruma
Do Inverno que é
Esquecer
A razão e as pernas
E boca são lemes
Que estão sempre a remar
Teimosamente...
Em tua direção.
Ó, meu bom timoneiro!
E esta febre que não passa.
E esta visão turva no novo!
Esta alegria quase pueril
Que a minha aflição
Brinda!
E velho tornar-se-á!
Todo o "novo" sempre finda!
| não existe novidade no amor |
O amor adoece e finda
E fica outra coisa qualquer
- com sorte ao mar -
Boa e grata em seu lugar.
... desculpa-me os versos cansados e imprecisos...
| o amor... é prenúncio do naufrágio |
Karla Mello
OST: Philipp Weber
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