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Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...

.. obrigada .. :)

sábado, 18 de junho de 2016

Passagem

Largo a mochila abarrotada de tralhas, e mortos e pesos e culpas e dores:
minhas e dos outros, mas que eu quero, estranhaMente, que sejam minhas e sobre os meus ombros, para que eu possa acariciá-las.
Mochila que eu mesma arrumo e desarrumo, todos os dias.

Paro. Abandono-a.
Esta não é a minha mochila favorita.
E nem tenho e nem quero estas "constâncias objectais".
E tiro ainda todas as roupas velhas de sobre o meu corpo.
Dispo-me. De conceitos antigos que eu mesma os construí.
No próximo passo já reside o melhor de mim.
Sigo metamorfopsiquicaMente.
Sigo ambulante da vida e guardo comigo a mão amiga.
Linda é a vida e eu não via!
Vês?! ... Sigo leve! Livre!
Feliz e grata pelo "agora" de cada passo dado na direção de todo o novo SER.
Complexa eu e com esquecimentos impossíveis. Mas remontados na felicidade do instante possível, só porque é.

Eu escolho a vida em movimento constante.
Eu escolho não ficar presa a nenhumas "paisagens".

Karla Melo

Imagem: arquivo pessoal

Fio da Flor-Amor


Palma das nossas mãos
Fechadas em concha
E cabem o grão
De tudo o que pode ser
Bom.

E juntos plantemos,
Então.
E florescerá
A cor do mais belo
Som.
O tom do mais belo
Arco
Por onde haveremos
De passar.

E da delicada textura
Da mais bela flor
Desfiaremos o fio.
E teceremos juntos
O pano das nossas noites
Estrelado.
O campo dos nossos dias
Com cheiro de flor
Que nos trará, carinhoso,
O vento que acalenta e embala
O nosso estranho
Amor...
Ao tocar em toda a alegria
De estarmos um.
E gratos e juntos.
E só.

Palma da minha mão
Fechada em concha e guarda
O fio da Flor - Amor
Que um dia me entregaste.

Karla Melo

Arte em Pastel: Vicente Romero

Equívoco


Eu não tenho qualquer vocação
Para nenhuns tipos de bajulação
E sinto asco se me bajulam.
Sou arredia, bicho do mato
E gosto pouco da humana comunicação.
É quase sempre truncada
Embaraçada e desinteressada
De nós.
E de uns pelos outros...
Por dentro de cada barulho.
Por dentro de cada silêncio.

Prefiro a contemplação
Da silenciosa Lua.

E gosto eu da ternura da flor,
Abraço sincero da dor
Da alegria ou do acaso
Muito mais do que dos desejos
Da efemeridade da carne.
Opto pelo abraço:
Do coração com o coração.

Sou uma maluca feliz
Que sabe dividir o pão.
Que aprende a servir um irmão.
Quase sempre atrapalhada
E que acredita na individual ação
Que soma-se à humanidade.
Mas que descarta a palavra em vão.
Aquelas...
Que não são ditas com o coração.

E se sentires algumas dores,
Posso eu não resolvê-las,
Meu irmão.
Mas posso eu te fazer descansar
Num abraço
Do meu cansado coração:
Coração com coração.

.. não costumo me explicar tanto assim ..

Karla Melo

Imagem: arquivo pessoal