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Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...

.. obrigada .. :)

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Ser e Estar no Tempo


Ser é uma constância
Dos vários papéis
Necessários.
Temos que caber no mundo.
E esta é a minha grande dificuldade.
Eu voo nas asas do tempo.
E estar é ser
Feliz nas instâncias
Em que conseguimos parar
E nos determos ao que está.

O pensamento
Pode ser mordaça amistosa
Que afrouxa-se
Quando a pena está
Na mão
Da fala do inconsciente
Nem sempre de mãos dadas
Com o perdão
Mas que nos liberta
De nós mesmos.

Eu estou verdade
No meu inconsciente - pena na mão.

E quando eu partir
Nada me será mais.
E afora a vida,
O que terei a levar de volta
Senão o (ser)vir?!
Eis que a vida é
Um sopro sobrenatural.
Um fôlego.

Viver... é um doar-se sem fim.

Karla Melo

Carvão: Charcoal Drawings by Daisy



Silencia


Conheço muito pouco de mim quando estou feliz.
Conheço muito de mim se mergulho em teu egoísmo.
No teu sádico grito. No teu cinismo.
Queria ser muda e até fico.
Deixa-me.
Mas queria ser silêncio absoluto.
O silêncio também grita.
O silêncio é açoite.
O silêncio veste branco e é calmaria.
O silêncio veste noite e é solidão.
O silêncio veste cores.
Muitas cores quando é opção.

Conheço muito pouco de ti quando estás feliz.
Conheço muito de ti se mergulho em meu egoísmo.
E como te mostras…
Basta que mergulhe eu em mim.
Na minha existência unicamente minha.
Onde não te cabe.
Onde não me cabe.
Eu não caibo no mundo.
Nem no teu,
Nem no meu.
Tu cabes
No meu e é sempre assim.
Transitas. Te arrumas.
Falas e silencias.
Ditas. Mas é até onde eu permiti-lo.
Não. Hoje eu não caibo no mundo.
Não no teu.
Resolvi que também não cabes no meu.
Só caibo no silêncio que açoita-me hoje.
E tu em nenhum lugar de mim.
Quero brindar a isto!
Embreagar-me do gosto dos beijos de outrora.

Silencia por favor.
Deixa-me mergulhar em mim mesma.
Deixa-me na minha ausência de paz.
Deixa-me na minha costumeira inquietude.
Ela é confortável e já estou habituada
E é aonde sou, choro e oro.
Vá sorrir e cantar e dançar…
Vá enlouquecer em paz!
Procura um mundo… Vá!
Contemplo-o de longe no teu carnaval fora da época.
Fantasia bonita a tua, mas poderias trocá-la de quando em vez.
É tão cansativo… Mas posso assistí-lo passar.
Depois disso...
Deixa-me silenciar o meu silêncio.
Deixa-me no meu mundo em qualquer forma de silêncio.

Conheço muito de mim enquanto passas.
Conheço muito de ti enquanto fingimos
Que tudo passa.

Karla Melo

OST: Alyssia Monks

Saudade Riachinho

Dia de sol...
Sol bem mansinho
E gotas de orvalho
Molham rostinhos.
Crianças que passam
Na minha janela
Correm e pulam
Agasalhadinhas.
Vem, orvalhinho
Sejas tu ligeirinho
Traz-me notícias
Do meu pequeno ninho.
Ajuda-me aqui,
Sábio passarinho!
Puxa este fio
E tricoteia comigo
E com a tua bondade
Põe na bolsinha
Água e descanso
E tricô da saudade.
Atravessa o Atlântico
Mas sejas prudente!
E ensaies um cântico
De soprar cochichinhos
De saudades de mãe,
De saudade de vó,
Gentil passarinho,
Aos meus amores
Meus menininhos.
Mas sopras mansinho
Sem fazer alarde.
A minha saudade
É tal riachinho:
Molha e escorre
Em silencioso caminho.
Obrigada, gentil passarinho.

Karla Melo

OST: Théodore Gérard