Cruzam-se os ponteiros do relógio
E ora é noite que perpassa o dia...
Sem nem sequer dar um bom dia.
E as minhas pernas cruzam-se e quase pensam.
Cruzam-se fronteiras e antevejo o abismo.
E esta febre que não passa.
Dedos por entre os meus cabelos
Embaraçados e ainda os pensamentos.
Cruzam-se pessoas nas ruas em passos apressados
E o Outono acaba de cruzar com o Inverno.
Folhas molhadas enfeitam-se ao assobio do vento
E esta febre que não passa.
Carros e pessoas avançam os sinais.
Sinais ignoram a razão.
Sinais.
E esta febre que não passa.
Estúpidos ponteiros do relógio.
Vida estática na parede da quase morta:
Escuto uma febre insolente... que pulsa.
Karla Mello
OST: Alyssa Monks
.. Translate ..
Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...
.. obrigada .. :)
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Flor da Amizade
Semeou bravura
- Chão meu sem forças -
Sem perder de vista
A humilde ternura.
Necessárias são
As palavras "duras" - pão
E alimentou-me o irmão
E regou o meu sem chão.
E foi toda a candura
E a semente regou
Terra seca da quase louca
Girando em si mesma
Com a fé gasta e pouca.
Brotou do medo
Frágil botão
Nas terras de outrora
Áridas
Do meu coração.
Linda é a Flor da Amizade.
Poucos a têm.
Esta não possui endereço
É ausência de espaço
E tempo ...
É etérea ... É eterna
É gentileza e bondade.
.... um dia também chamar-se-á Saudade.
Karla Mello
OST: Omar Ortiz - "Salto de Fé"
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Orfandade
Então me abraces
E o encontro dos nossos
Medos
Flutuará sem chão,
Sem teto,
Sem mãe.
Nós...
Os dois:
Numa orfandade faminta
De vida.
Quase incólumes.
Apenas e só
No instante do abraço.
Andamos mesmo,
Ultimamente,
A marcar desencontros
Com as palavras.
E estes desencontros
Consistem numa certa
Delicadeza infinita
Que testemunha
O céu azul das nossas
Bocas em silêncio.
Karla Mello
OST: Philipp Weber
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Poeme-se
Poeme-se!
Desajuste-se
Do mundo!
Não caiba!
Só na camiseta.
Não cale-se!
Não guarde-se!
Use-se!
Inteira!
Nunca morna!
Nos vértices
Da alma
Levite-se!
Desarme-se!
Ame-se!
Ame muito!
Ame tudo!
Ame a todos!
Arme-se...
Com flores
Nos cabelos!
Nas palavras!
Nas atitudes!
Abrace!
Solte-se!
Pense!
Espalhe-se
Em rimas!
Sem rimas!
Supere-se!
Sê livre!
Transforme-se
Em armas do céu!
Em armas de versos!
Poeme-se!
Karla Mello
Fotografia: arquivo pessoal
Desajuste-se
Do mundo!
Não caiba!
Só na camiseta.
Não cale-se!
Não guarde-se!
Use-se!
Inteira!
Nunca morna!
Nos vértices
Da alma
Levite-se!
Desarme-se!
Ame-se!
Ame muito!
Ame tudo!
Ame a todos!
Arme-se...
Com flores
Nos cabelos!
Nas palavras!
Nas atitudes!
Abrace!
Solte-se!
Pense!
Espalhe-se
Em rimas!
Sem rimas!
Supere-se!
Sê livre!
Transforme-se
Em armas do céu!
Em armas de versos!
Poeme-se!
Karla Mello
Fotografia: arquivo pessoal
Verdades e Alegorias
Eu não acredito mais em ti.
Nesta tua roupa engomadinha
E quase perto do “perfeitinho”.
Preferia eu aquela roupa
Que vestias tu
quando encontraste-me.
E estavas tu
todo amarrotado e eu.
Desbotados
Desprovidos de conceitos
Sobre tudo e sobre nós.
E estavas tu
Incandescente!
Do Amor de todas as mãos dadas.
E estavas tu
tão cansado
do homem "ser" e ainda eu.
E vestias tu
todas as verdades tuas
E eu ainda todas as minhas.
E mesmo amarrotadas
Eram amarrotadas verdades nossas.
Amei todas as tuas
amarrotadas vestes da verdade
que combinavam com as minhas
verdades e alegorias.
Karla Mello - "Verdades e Alegorias"
OST: Marcio C
Horizonte Meu
sêlo em meu rosto
de mãe
o beijinho teu
e coloridos ficam
os dias meus.
foi que emoldurei
tu:
horizonte meu
na parede minha.
e tracei
horizontes de Amores
dos beijinhos teus.
Karla Mello - "Horizonte Meu"
Fotografia: arquivo pessoal
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Da Complexidade do EU
tento racionalizar
o lufar da porta entreaberta.
grão de areia partido em pedaços:
fragmentados pensativos eu's.
breve o eu
compacto.
suprimido e complexo
como o instante da morte.
como o sopro da Vida.
qualquer coisa contemplativa
que impulsiona a respiração
como no instante da criação
de toda a Arte:
de eu's compilados...
desarrumados e antagônicos
que ecoam
gritos das paredes
mudas.
... e apenas Ele escuta ...
Karla Mello - "Da Complexidade do EU"
Imagem: Google
Dia de Cão
Criamos as antíteses e refletimos
E fazemos cálculos e caras e bocas
E poses de fotografias
E publicamos ao mundo
Teses sobre as Tuas ternas flores.
E fazemos cálculos e caras e bocas
E poses de fotografias
E publicamos ao mundo
Teses sobre as Tuas ternas flores.
Decidimos qual
a “frase” do momento
Sentida e creditada por “não sei quem”.
E estamos sempre na Tua contra-mão
Quando deveríamos mesmo ser mudos.
E são tantas as “bandeiras” e “teses”...
Teses sob as Tuas humanas mentes
Doentes! .. Todas doentes!
E não nos esforçamos em quebrar fronteiras
Nossas!
Que nos impedem de Amar os diferentes
De nós.
Nós somos os modelos!
Mas quebramos todas as fronteiras
Dos cobiçados continentes
E matamos mulheres!
Crianças!
Abandonamos os nossos!
E os nossos velhos
Que contam histórias sobre nós.
Conseguimos desculpas para tudo
Paramos tudo
Para que passe a nossa vaidade.
E o "desfile" tem que ser em larga avenida...
Senão, não cabe.
Mundo caos e eu!
E somos “suficientemente bons” em quase tudo.
E eu queria ser insuficiente!
Dessas que não coubessem
Em nenhum padrão de Amar.
Insuficientes somos sem Ti, ó Pai!
Não há um justo sob o Teu indecifrável Céu
Que bordaste Tu com primor por Amor
A nós! Seres indigentes!
E a Lua! Nua! - não necessita pudor.
Ela está para todos os loucos
Que param o seu tempo
Apenas para contemplá-la.
Hoje eu acordei cansada...
De mim.
Não quero a face do espelho.
Dia de cão.
Hoje eu suicidei-me novamente
Em Ti.
Ó luta sem fim!
Karla Mello
OST: Jeremy Mann
Sentida e creditada por “não sei quem”.
E estamos sempre na Tua contra-mão
Quando deveríamos mesmo ser mudos.
E são tantas as “bandeiras” e “teses”...
Teses sob as Tuas humanas mentes
Doentes! .. Todas doentes!
E não nos esforçamos em quebrar fronteiras
Nossas!
Que nos impedem de Amar os diferentes
De nós.
Nós somos os modelos!
Mas quebramos todas as fronteiras
Dos cobiçados continentes
E matamos mulheres!
Crianças!
Abandonamos os nossos!
E os nossos velhos
Que contam histórias sobre nós.
Conseguimos desculpas para tudo
Paramos tudo
Para que passe a nossa vaidade.
E o "desfile" tem que ser em larga avenida...
Senão, não cabe.
Mundo caos e eu!
E somos “suficientemente bons” em quase tudo.
E eu queria ser insuficiente!
Dessas que não coubessem
Em nenhum padrão de Amar.
Insuficientes somos sem Ti, ó Pai!
Não há um justo sob o Teu indecifrável Céu
Que bordaste Tu com primor por Amor
A nós! Seres indigentes!
E a Lua! Nua! - não necessita pudor.
Ela está para todos os loucos
Que param o seu tempo
Apenas para contemplá-la.
Hoje eu acordei cansada...
De mim.
Não quero a face do espelho.
Dia de cão.
Hoje eu suicidei-me novamente
Em Ti.
Ó luta sem fim!
Karla Mello
OST: Jeremy Mann
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
pOeMiNhA dE sAuDaDe
Saudade é borboleta
Liberta do casulo.
Casulo é a presença.
... Borboleta é a beleza da ausência.
Karla Mello
OST: Fabiano Millani
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Dança Com A Minha Morte
Nasci de retalhos do amor.
Foram em mim, costurados
Na carne humana e frágil
Dos lares equivocados.
Não gosto de ocupar lugares
Que forcem-me no meu horário
De rir ou chorar ou abraçar
Pois e se visto eu o cansaço
Seria eu, então, um armário
Desses que guardam máscara.
Desses que cheiram à mofo.
Gosto eu de tudo o que escancara.
Não gosto de lugares e títulos
Estragam o meu eu, já tão aflito.
Gosto de ser parceira... companheira.
Parceria nunca pede cativa cadeira.
Não gosto de falar p'ra gente
Gosto de aprender com Gente.
Estou aqui e acolá... não quero sempre estar.
Bom mesmo é deixar a saudade
Perfumar por si mesma, o ar.
Renasci de retalhos da dor
Lacerados num copo de vinho
Lacerados num pedaço de pão.
A fome da carne é um vão!
Farta é a cruz do perdão
Onde ele mostrou-me o Amor:
Face que brilha na noite
Mão que apascenta o açoite
Todos os dias a recomeçar.
- Mato-me todos os dias!
- Rio-me na cara da morte!
… E convido-a para dançar!
- Canto livre em cada golpe!
Morte voluntária de mim
Liberto-me de mim, enfim.
E que eu diminua tanto e tanto
E que eu escandalize o meu EU que olha
E grita diminuto a sua própria morte
- Descrente EU que acredita na sorte!
Miro o morto EU de soslaio...
Liberto-me de mim, enfim.
… Nasci do imutável Amor por mim.
Karla Mello
OST: Brad Kunkle
Foram em mim, costurados
Na carne humana e frágil
Dos lares equivocados.
Não gosto de ocupar lugares
Que forcem-me no meu horário
De rir ou chorar ou abraçar
Pois e se visto eu o cansaço
Seria eu, então, um armário
Desses que guardam máscara.
Desses que cheiram à mofo.
Gosto eu de tudo o que escancara.
Não gosto de lugares e títulos
Estragam o meu eu, já tão aflito.
Gosto de ser parceira... companheira.
Parceria nunca pede cativa cadeira.
Não gosto de falar p'ra gente
Gosto de aprender com Gente.
Estou aqui e acolá... não quero sempre estar.
Bom mesmo é deixar a saudade
Perfumar por si mesma, o ar.
Renasci de retalhos da dor
Lacerados num copo de vinho
Lacerados num pedaço de pão.
A fome da carne é um vão!
Farta é a cruz do perdão
Onde ele mostrou-me o Amor:
Face que brilha na noite
Mão que apascenta o açoite
Todos os dias a recomeçar.
- Mato-me todos os dias!
- Rio-me na cara da morte!
… E convido-a para dançar!
- Canto livre em cada golpe!
Morte voluntária de mim
Liberto-me de mim, enfim.
E que eu diminua tanto e tanto
E que eu escandalize o meu EU que olha
E grita diminuto a sua própria morte
- Descrente EU que acredita na sorte!
Miro o morto EU de soslaio...
Liberto-me de mim, enfim.
… Nasci do imutável Amor por mim.
Karla Mello
OST: Brad Kunkle
Subscrever:
Comentários (Atom)









