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Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...

.. obrigada .. :)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Descrevo-te

tu cabes 
tão exatamente 
no espaço da minha saudade.
no embargo da minha voz
canto para ti
... tateio-te.
sei-te de cor.

Karla Mello
OST: Lucasz Biel

terça-feira, 25 de outubro de 2022

A Caixa

Hoje eu encontrei uma caixa compacta
Assim .. como são as mentiras.
As mentiras sempre nascem compactas.
Pensei em não abri-la .. mas escolhi enfrentá-la
Porque ela estava determinada a crescer.. e a disparar contra mim ..
E eu .. aprendi que ela pode ter o tamanho que eu permitir.
A caixa é feia .. e tem efeitos do tempo.
As mentiras já foram bonitas .. bem lá atrás ..
Quando eu as olhava com um amor que impedia
... a caixa de fechar.
Chorei sobre todas elas: as mentiras que eu despi
Num dia doído .. tanto que até secou o mar e a Lua assistiu ... quando eu o olhava.
Cega .. seca .. com a boca aberta de espanto.
Fraca e só.
Mas então .. Ele se aperfeiçoa em mim..
Que não passo de uma caixa cheia de nada..
 
Dizem que fotografias falam muito ..
E eu nem acredito tanto assim.
O sorriso pode ser apenas um movimento
.. mas o músculo dentro do peito..
Pode ter brigado com a alma ..
E pode decidir não sorrir .. não rimar
... quem saberá..
 
Hoje eu encontrei uma caixa compacta
De sonhos escritos para o amanhã ..
E me dei conta de que hoje .. é aquele amanhã da caixa.
 
( Cresci bem no centro de uma mentira
- que assusta criança -
Depois eu nasci ..
Bem no centro de toda A Verdade )
 
Subi numa escada bem alta ..
que até me lembrou o céu do meu Pai ..
Guardei a caixa de mentiras .. bem no alto ..
O mais que eu consegui
Num armário que não visito ..
Só porque, um dia .. eu vi verdade.
Memórias.
Um dia posso perdê-las.
 
A fotografia nem sempre é fiel ao instante.
As mentiras não são fiéis.
Assim são algumas fotografias.

Karla Mello 
Fotografia: Arquivo Pessoal 


 

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Beijo-te Como Quem Morre

Que diremos, pois
Da palavra não dita
Em laço de fita
Que enfeitei o meu choro
Chorado calado
Debaixo da Lua
Bem mesmo na curva
Do sorriso teu
Tão meu..
Da tua calma na escuta
Da minha pressa na fala
Da voz embargada - minha e lacerada
E do peito apressado
Em tentar esquecer
O nosso meio tempo
Quase inocente
Amassado .. Achatado ..
Engolido inteiro
Por mim.
 
Que diremos, pois
Desta dor que não passa
E deixo pra depois...
Que diremos, pois.
 
... Páro
E olho pra trás
Aceno e agradeço
Cresci e juntei lágrimas
No poço fresco
Do meu novo coração.
(Quem nos poderá separar do Seu Amor?)
 
- Que direi, pois... sem ti..
Destas tantas coisas..
E beijo-te enquanto dormes..
Ao longe .. de longe ..
Beijo-te .. como quem morre.
 
Karla Mello
Arte: Lannetti Alessia