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Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...

.. obrigada .. :)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Indisível

O tempo é vento e fome.
Que traz poeira cinza e que engole o homem.
Cortina que cobre cenas. 
Cortina que encerra em atos toda a efemeridade. 

Busca aquele que sacia.
Busca o indizível.


Karla Mello

OST: Maria Oosthuizen

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

A Morta

 
.nada sou.
.sou aquela que dança.
.sobre sonhos vis.
.esmago alguns.
.alguns esmagam-me.
.quando ninguém vê.
- ele vê -
.e dança comigo.
.sobre as minhas tantas.
- mortes -
.sou aquela que cansa.
- do nada -
.do tanto que ama.
.que foi.
.e que vai embora.
- em silêncio -
.eu sou Amada.
- descanso -
.eu sou a morta.
.eu não sou nada.
.do que tu vês.
.passar por aí.
.nunca espero.
- muito -
.nunca fico.
- fujo -
.guardo-me.
.em seus braços.

Karla Mello

Imagem: Arquivo Pessoal

sábado, 16 de janeiro de 2021

Complicada_mente

Amo o som da tua risada
Guardo-o na minha retina.
E a figura da tua boca... desatina...
Escuto-a no sussurro da quina 
Dos desencontros tantos, tão nossos
Nas curvas das nossas esquinas.

E fico tonta... nunca sei o que dizer...
E guardo-me no nosso abraço 
Porto meu... amor meu.
Porto do nosso cansaço.

Amo o teu jeito complicado 
Que mais parece com o meu...
Vidas, em tanto, entrelaçadas
E não há muito o que dizer... 
E há tanto, tanto a fazer.

O tempo... O tempo...
Do sentimento, boca amordaçada.

Karla Mello

OST: Alyssa Monks

domingo, 3 de janeiro de 2021

Te cOnTo Um Conto

 

Hoje vi um velhinho na livraria.
Ele estava sozinho.. e peguei-me duplamente assustada: pela pandemia e pelo "espelho".
Sim. Acho que há uma certa indiferença em nós em relação aos velhos. Como se nunca, nem pensar, pudéssemos ocupar um dia, aquele lugar.
Tentei imaginar o que levaria um velhinho a estar sozinho numa livraria.. Ele roubou-me a atenção. E não aparecia ninguém. Era ele e o livro que lia. Ora lia, ora observava as pessoas. E a impressão que eu tive é a de que ele não estava ali. Pelo menos parecia não querer estar. Não ali.. no espaço físico. Mas ali.
Pensei que eu iria apenas escolher livros. Mas fui aprender um pouco mais sobre estar só e ser velho.. numa livraria.. bem num lugar qualquer do mundo.
Não tive o privilégio ainda de chegar a sua idade. Mas já sinto sim a sensação de que há quem não  queira escutar muito sobre o que temos a falar sobre a vida e as nossas experiências.. boas ou menos boas. Podemos estar com a melhor intenção, mas poderá sim parecer uma "invasão ofensiva". Então lembrei que os velhinhos, por norma, não costumam falar muito.
Lembrei que eu gostava muito de conversar com a minha avó.. que achava graça porque eu falava muito.
Lembrei que nem sempre tive paciência com o meu pai.
Lembrei que já sou uma avó. 
Eu gostava de ter me sentado ao seu lado...
Eu gostava de ter feito diferente algumas coisas.

Hora de ir embora.. E não apareceu ninguém.
Ele e o livro num planeta gigante.
Não me parecia nem alegre, nem triste.
Lembrei da Cecília Meireles e pensei: pode ser um poeta.
Hoje eu pude enxergar um velhinho na livraria.

Karla Mello

OST: Não encontrei o autor da pintura