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Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...

.. obrigada .. :)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Ode À Minha Morte

Solta ao vento 
Sinto-me.
Presa apenas 
Ao teu Amor
Que acompanha-me
Com olhar taciturno
A dançar 
Sobre a minha morte.

Nem sempre consigo
Te escutar.
E o teu silêncio grita
Nos recônditos 
Do meu coração.

Não estou para agradar
Quebro paradigmas 
De mim.
Do mundo.
Dos hipócritas
Das frases de efeito
Das fotografias congeladas
Dos estigmas e rótulos 
Da satisfação ao alheio.

.............. Canso-me.
De mim e de tudo.
Lavas 
A minh'alma
Quando encontro-me
Com a loucura
Que é ser eu.

Tropeço 
No meu vestido antigo.
Atrapalho-me.
Enlouqueço.
Abraças-me.
E lembras-me de que já passou.
Sopras as minhas dores
Seguras na minha mão 
E convidas-me a voltar
Ao grande salão 
Dos hipócritas 
À dançar com a minha morte
E giramos tanto e tanto
Até que sinto-me 
Atordoada 
E em teus braços 
Adormeço.

O teu silêncio grita.
O teu olhar traz
O meu pôr de sol.
Adormeço.
Presa ao teu Amor
Que vela-me
O sono da morta.

Karla Mello

OST: Maria Magdalena Oosthuizen

domingo, 8 de setembro de 2019

Saudade É Muda

Saudade nasce muda:
Muda de voz.
Muda de planta.

E cresce
E transforma-se numa árvore enorme.

E traz sombra aos passantes.
E dá flores apressadas
Que exalam, quando gritam,
Perfume de Amor aos que passam.

Passarinhos pousam: recadinhos.
.... Saudade também pode ser Hera pesada nos muros... Depende do dia.


Karla Mello

OST: Alicia Nakatsuka

sábado, 31 de agosto de 2019

Do Descabimento de Mim

Nunca soube.
Não saberia
Repartir o que pulsa.
Não gosto de nada
Mais ou menos:
Hora contada,
Adeus de repente,
Virar para o lado - desimportância
Essas coisas nunca cabem
No descabimento
De mim.
Não sei ser metade - sou inteira
Em tudo o que vivo.
Na minha risada,
Na tolice assumida,
Na minha pressa
Inconveniente.
Não... não me acomodo.

Saltei nos meus abismos de mim
Não fiquei no parapeito.

Hoje prefiro assentar-me...
Não salto.
Desafio a paisagem e sorvo
Tudo o que é belo no instante.
.......... Há beleza no caos.

Não gosto das reticências...
Apenas se forem para continuar
Sem vislumbrar o fim.

As reticências sangram
O ponto sara.
Gosto do ponto.
E ainda sou atrevida pra vida.

Já ando a esquecer-me...
Da dor que doeu tanto
Que fomos.

Saltei muito.
Corro pouco.
Caminho sempre.
Com lágrimas, planto flores...
Nos canteiros de mim.
Oferto-as, com gratidão - Imperfeito Amor,
À ti.

Karla Mello

OST: Alyssa Monks

terça-feira, 27 de agosto de 2019

O Dia Em Que Eu Chovi

Hoje
Dissemos adeus.
No relógio do tempo,
Palavras pontuais.
Pensei em morrer
Olhei para os lados
E não havia ninguém.

Pensei que poderíamos voltar
Aos dias ensolarados das nossas vidas
Mas estava tão nublado de palavras
Torpes... Não nos reconhecemos.
E então eu chovi
Como há tempos não acontecia.
E ensopou todo o meu amor
E tu vomitaste as tuas verdades
E eu não as guardei
Deixei-as expostas nas calçadas do tempo.
E seguirei a amar-te tanto e tanto
Tanto e sempre.

Senti-me febril
Tantas verdades tuas pregaste
Nas paredes da tua primeira casa.
Recuei. Bati a porta.
Lacerado ventre.
.... Batemos.

Hoje
Dissemos adeus
E eu te sinto ainda nas minhas entranhas.
Aceno.
E eu continuarei a chover por ti.


Karla Mello

OST: Alyssa Monks

terça-feira, 16 de julho de 2019

Versos À Menina Flor


Dorme, menina minha
E sonha.
Todos os sonhos bons
Que sonhamos nós, um dia,
À ti.

| És um sonho do pai |

Silencia.
O justo espreita a tua
Caminhada.
E embala-te nos braços
Como nós já nem
Podemos.

Pranteia.
Põe aos pés do madeiro.
Semente da mais bela flor
Tu és.
Aguarda em silêncio.
Esforça-te.
E assim, brotará
A mais bela flor
Nos jardins do pai
Que a tudo assiste.
E beija-te os pensamentos insanos
E os desfaz.

Permitas
Que o sopro da boca santa
Desembarace
A tua dor.
E brincarás
Com a tua alma criança
Por entre flores – “Doresflores” como tu
E nada importa.
E nada importará.
….. Eis que aqui
É um cenário passageiro
Onde tens um único jardineiro
E tu... A mais bela flor
Do seu Amor – Canteiro.

Dorme, minha menina.
E já não é sonho.
E vives
Tudo o que ele tem para ti.
Leva contigo no bolsinho
Lenço de enxugar choro
E abraços
E oferta, aos necessitados,
Pelo teu caminho.

Karla Mello

OST: Denilsen

sábado, 13 de julho de 2019

Valor Barato


Não me definas.
Não sou como um sobejo de homens.
Como um sorvete que vós ofereceis uns aos outros...
E não aceitam porque são
Sobejos.

Não sou coisa usada... descartável... reciclável.
Posso até me ter permitido estar...
Um dia... que vai ao longe.
Já esquecido e lançado ao mar.

Mas te conto que cri em sentimentos
Tantas... Tantas vezes.
E pago altas quotas pelas pseudo definições
Que borbulham das bocas raivosas
Dos machistas, cheios de posses “sobre”.
Mas lembra-te:
A ausência de crer
Esconde o cinismo de querer ser.
Eu opto por “dar a cara p'ra bater”.
Poucos acompanham... e não importa.
Ele acompanha-me.

Eu amei tantas vezes.
Eu tropecei: em mim mesma e nos outros.
Eu derrubei e cai.
E choro com a mesma força do meu riso.
Pois quando ele ergue-me
Faz-me capaz de erguer homens e mulheres vis
Tal qual o meu Eu... que eu mato-o e guardo-o nele
Luta de todos os dias.

Guarda a tua palavra cheia de certezas
Daquilo que não experiencias.
E eu?!
Guardo a minha... Do pouco que eu conheço de ti.
Da tua aparente arrogância de sempre saber.
De não aceitares argumentos diferentes dos teus.
Da tua aparente vaidade, humanamente barata.

E eu te amo tanto... não cantes.

O que sentirão pelas mulheres “comidas”?!
O que serão capazes de sentir por mulheres “lambidas”?!
O que aprendeste sobre isto?!
O que dizes?!

| Tu és amor! |

Eu choro com a mesma força do meu riso.
E recomeço.
E danço e brindo a loucura que é todo o fim.
… E a loucura que são todos os recomeços.

Levantem-se, Homens!
Guardem o julgo das histórias tantas.
Em cada face carmim, um universo inteiro.
Dores... sistemas de pensamentos, valores perpassados
Nas entrelinhas do vestido menino,
Do corpo violado, de valor barato.
Do descaso, abandono e abuso.
Dos amores feitos e desfeitos.
Mas, em algum instante, foram pseudo verdades
... Percebidas no depois
Por toda a carne que conhece o sangue.

Por vezes creio que, por isso, não tenho sobrenome
Desses que duram muito tempo e enchem a boca dos vaidosos.
(Nossa! Eles são quase perfeitos!)
E nem o quero... para que funcione como antídoto
Às pseudo definiçoes de ser “aquela”.

Não sou coisa e não sou tua.
Nem de ninguém... Nunca fui... Não serei.
Sou “aquela”... que junta-se e consola, nele,
Todas as maravilhosas “aquelas”
Que querem erguer-se, sem forças e envergonhadas
Por tantos motivos... Não importa.
Há tanta beleza nelas...

Não vale mais o perfume que fica na alma de quem toca, com amor, uma outra alma?!

Chamo-me “aquela”... E canto alto!
E tu?! ... Como tu te chamas?

Karla Mello

OST: Alyssa Monk

domingo, 24 de fevereiro de 2019

"Eu Sou"


Sufoco.
Seguro o ar no peito, chama.
Chama-te em flor
Regada. Colhida. Guardada
Por ti.

Expiro.
Vencida eu fui
Por teu amor.
Trouxe-me cor
Apagou toda a dor.

Suspiro.
Saudade latente
Da tua casa minha.
Somente só... Em ti
Encontro-me. Beijo-te. Guardo-te
Em mim.

Flor tão tua eu sou.
O teu amor me constrange.
O teu amor me persegue.
Regada. Colhida. Guardada
Por ti.

Eu Sou... Tu cantas sobre mim.

Karla Mello

Imagem Arquivo Pessoal