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Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...

.. obrigada .. :)

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Amo Como Quem Morre


perdoem-me, ternas flores
e tão gentis passarinhos
perdoa-me toda a gente
e ainda todos os bichinhos
por tanto Amar como quem morre
imperfeito...
no próximo segundo que corre...

e são bichos e gente perdida
que caíram, assim, dos seus ninhos
muitos nem ninho tiveram
foram derrubados aos espinhos.
e conheço muito este (des)ninho.
fui feita assim e não tem jeito
de Amor e (des)ninho no peito
e duas fontes no olhar
tu as criaste abundante
elas estão sempre a jorrar.

| a alma melancólica tu também Amas.. e pões segredos de teu Amor e paz ..
que toda a solidão desfaz |

e é tão generoso o meu Senhor
que Ama-nos sem qualquer merecer
e permite-nos, estranhamente,
Amar, assim como quem morre
imperfeito...
no próximo segundo que corre.

.. Amo assim, como quem morre, no próximo segundo que corre ..

Karla Mello

Imagem Google sem autoria

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Dois Fevereiros de Mim


e estive eu a lembrar-me
daquela noite chuvosa de um fevereiro
onde vestia eu um vestido de princesa...
branquinho... tal os sonhos meus.
e passou o trem... o meu trem...
subi apressadamente.
flores e amores nas mãos...
e olores dos canteiros da juventude minha
guardados à apenas a ti.
chovia e flores do céu...
e eras seco...
nem molhavas-te a ti
na chuva que vinha de fora.
nem nas gotas orvalhadas
do meu amor.
mas eu subi no trem...
nas badaladas tantas do sino da igreja.
olhei-me... bela é toda a juventude.
te olhei... te olhei... quase enxerguei.
eu nunca te vi...
nunca saberei se consegui te tocar.
mas sei de mim...
e do meu amor molhado da chuva...
do orvalho das flores que trazia eu nas mãos...
que aromava à sonhos de eternidade.

desequilibrei-me...
e perdi-me ainda de Ti.
e despetalei as flores todas!
desci do trem como uma louca!
prendeu-se o meu vestido
nos tantos tropeços meus.
nos tantos vagões...
nos meus passos vagos...
terminei por rasgar
o alvo vestido em farrapos - de mim.
quebrei o salto dos sapatinhos de cristal.
atirei-os longe...
nem sei onde os perdi.
e tangi os anjos e as borboletas... todos!
e sei apenas dos caminhos que percorri...
descalça...
e é preciso lembrar dos meus pés cortados
e cansados de caminhar por conta própria...
em voltas... à nenhum lugar
que não à mim mesma.
e sei do meu nada...
dos dias vividos sem Ti.
e das noites com medo do escuro.
e das noites com medo do bicho-homem.
e sei das rosas
que não mais ganhei...
nunca mais.
e dos meus (des)aniversários...
da solidão que é viver sem Ti.
e sei do meu declínio...
ingrime... ingrime... veloz.
das minhas perdas.
e das duas mães que se foram:
uma, de morte morrida - outra, de morte matada.
e da dor lacerante e finda
até o momento estanque
do Teu abraço.
e posso ainda eu falar daquele tempo...
um tempo em que eu era cercadinha
com cercas alvas de cuidados ternos...
do lar que formamos.
e risadinhas dos meus "querubins"...
e restinhos de bombons pregados em minha roupa
sempre...
por quatro mãozinhas de mim.
e este tempo é um quadro...
e pendurei-o eu
nas paredes do meu coração.
e hoje este tempo é verso...
que escorre dos meus olhos
e sangram saudades do coração
e escorre pelo meu olhar e mãos
e é o único grito que eu consigo soltar.
no mais... era o nada
sem Ti.

tornei-me num passarinho machucado...
cansado de bater em vidraças.
eu não enxergava as vidraças!
só o que estava para além.
e Tu levaste-me à Tua porta
repleta das Tua flores
e a um semeador cuida(dor)
e é abraço amigo que acolhe-me...
e Tu és tudo.
e fez ele ninho
em meu coração passarinho...
num fevereiro de mim.
e sou Teu passarinho e flor
na hora de partir e sempre...
e nos Teus braços vou
a alçar os Teus vôos
os que Tu sonhas para mim
| Ensina-me a espalhar sementinhas |
e Tua sou: complexa e esquisita.
Usa-me para as coisas Tuas
Repouso da Tua paz...
meu Senhor de mim.

.. como é bom e grato olhar para trás.. e perceber que, em tudo, Tu és e estás ..

Karla Mello

OST: David Bowman

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Descanso


deixo-me.
quero Nele estar.
deixo-te passar por mim.
não depende de mim.
deixo-me passar-me!
deixo passarem
deixo sobre mim:
a Tua vontade
e a tua má vontade
o teu desleixo
a tua vida
vivida à conta-gotas.
ando apressada
e perdi o meu conta-gotas
e eu jorro mesmo.
e parei de viver
do ontem.

ando cansada
resolvi parar tudo
assim...
de mim.
deixo-te parar
cansada de dar "corda"
no teu brinquedo
não é brinquedo:
vida que corre.
vida que passa.

parei. estagnei
lá atrás das águas.
quero descansar um pouco
e sempre Nele:
de mim mesma.
da minha pressa.
do meu "para ontem".
do teu "para amanhã".
deixo-te passar
devagarzinho
e tudo o mais.
e nunca sozinhos...
nós.

eu:
hoje quero estar sempre morta.
Ele... vive.

Karla Mello

OST: Fabiano Milani

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Disléxico Amor



Saulo.. que perseguia cristãos
E que, por teu Amor,
Tornaste-o em teu servo Paulo
Que escreveu tantas cartas 
Tuas, em teu nome
Efésios seis!
Dá-nos a tua armadura.
Revesti-nos!
Amparai-nos!
Na tua marcha que segue
Cada vez mais forte!
E se um se acovarda e cai... 
Misericórdia!
A tua misericórdia nos ergue
E mais tantos quantos outros
Em meio a santos prantos
Marcham... Clamam... Amam...
Na tua santa direção.

Abaixo a hiper graça!
Que é como um cabide cínico
Na sala de estar(se) bem
Onde acumulamos tantas
Imundices! Imundices!
Queremos novamente moldar-te
Tu às nossas vontades!
E esta faz pouco caso 
Da rude... Tua cruz!
Por nós... Todas as dores
Sem distinção.

... És um cavalheiro, meu Senhor
Não invades nenhuma gente.
Tu bates à porta.
Tu vens... Tu nos chamas.
... Faz-me refletir quando afasto-me
De mim mesma
Haja que viver em ti
É esquecer-se de si
Ego que esvai-se para o ralo
Imundo 
Onde é o seu real lugar.
Mundo Insano... Mundo.

Amo-te tanto, meu Senhor
Num Amor tão capenga
Tal como uma frase disléxica
Um Amor mal acabado.
E eu sei que não te surpreendo
E nos Amas tanto assim.

Silencio o pranto.
Comovida sinto-me.
Constrangida faz-me.

E me ergues em ti
Rocha da minha salvação!
Leva-me... Leva-me...
A um lugar onde eu não coube, vã
Efésios seis!
Leva-me para um lugar de servidão.
O meu imperfeito ser
Improvável! Improvável tua sou
Lavada pelo teu sangue estou.

Quebraste tu tantas regras
Que nos separam do Amor
Sentaste à volta de um poço 
Lugar de encontros furtivos
Na Samaria descabida
Com uma mulher, como eu, descabida
E permitiste tu, Amoroso
Que ela te anunciasse.

Dá-nos a tua ternura.
Dá-nos a tua bravura
De quebrar conceitos engessados
De acolher a todos num abraço
Todos os necessitados teus
Como eu, de ti.

|... E o que estão a fazer às tuas criancinhas? |
...Toda a palavra se cumpre...

Meu Senhor... Meu Senhor...
Perdoa-me os pensamentos amontoados
E ainda os abraços abortados
Quando eu os recolho, engessados
Porque não "cai" bem ao lugar,
Às circunstâncias dos nossos “modelos”.
E assim, sou longe de ti...
Tu, que nunca guardas um abraço.
E nós somos tão imperfeitos
Mas dentro de um abraço irmão
Abraços de imperfeitos
Bem ali... Bem no instante | meio
Tu és o perfeito
E cobres toda a imperfeição.

Saulo... que, por teu amor,
Tornaste-o em teu servo Paulo.
E eu... que "matei" tanta gente
E vivo à espreita do bicho "eu"
A tropeçar em mim mesma
E que, somente por teu Amor,
Tornaste-me em tua menina flor
E (re)plantaste-me novamente
No teu Amoroso jardim.
E, quando olho, lá atrás...
Tu sempre cuidaste de mim.

Efésios seis.
Dá-me a tua armadura.
A espada do teu santo espírito: 
palavra de minha boca | tua
| Compaixão exacerbada, enfraquece |
Dá-me sabedoria, enfim.

Reveste-me da tua justiça.
Dá-me o teu Amor no servir.
Dá-me a tua bravura.
Aponta-me o caminho.
... E livra-me sempre de mim

Karla Mello

OST: Brad Kunkle