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Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...

.. obrigada .. :)

sábado, 2 de dezembro de 2017

Saudade Riachinho


Saudade é riachinho
Que faz olho d'água na face
Dos rios meus.

Saudade é pluma
De passarinho a migrar
Quando quer ficar.

Saudade é beijo
Ternura que guarda-se
Do que não será.
E o que não será.... para sempre o é.
Haja que o que é.... o deixará de ser
i n e v i t a v e l m e n t e
Algum dia.

Saudade é par
| Três passos |
Na contra-dança da vida
Com o verbo Amar.

Saudade é oco
Do mundo.... das satisfações
Da ausência da palavra
Disfarçada em festas
Que não se quer estar.

Saudade é morte
De mim.... todos os dias
Por meu imperfeito Amar.

Saudade é mar
Saudade é par
Saudade é rir.... agradecer e chorar.
.. ando a banhar-me no riachinho de todos os dias ..

Karla Mello

OST: Alyssa Monks


sábado, 11 de novembro de 2017

Sobre O Silêncio


Rasgou-se todo o véu
Que caia sobre as nossas faces.
E, no teu Amor,
Não permito-me mais
Rasgar as minhas vestes.
Tu nos permites
Rasgar e sangrar
O enganoso coração
Tão profundamente a ti.
E tu te sentas conosco, Pai...
E tu amas nos ouvir.
E o meu silêncio...
É toda a lucidez de mim
Que orvalha do meu olhar.

E o meu silêncio...
Traz o inquietante controle
Do teu Amor por nós
Sem controle...
Que provoca a estranheza
Da tua santa paz.

.. distancio-me de mim ..

Karla Mello

Imagem Google

Uma Certa Madalena - Segundo Ato


Tudo tem o seu tempo
Como diz em tua palavra.
É tempo de despetalar
Pétala ternura menina...
Flor que nasceu outrora.
E regar tempos e temporais
Erguida em tua bravura
Com água da vida – sei que és
Pétala terna da tua mão...
E não careço nada mais não.

Chora, filha, chora o botão
Que há de surgir em tudo o que é novo
Despede-te deste ciclo
Pranteia os teus tantos prantos... 
Mal compreendidos
Mal interpretados
Mal acabados
Pseudo sanados...
Ele saberá.

Amor, pai, irmão...
Deixa-me caber, descabida, em tua mão
Fortalece-me na minha fraqueza
Protege-me as portas do coração.

Madalena tua... redimida.
Madalena nua – de si.
Madalena flor – de ti.
Eu sei onde tu me foste buscar...
Somente por teu cuidado.
Somente por tanto Amar.

| Muitas Madalenas e Marias 
Com suas lágrimas e óleos de ungir
Com suas verdades escancaradas
Batam àquela tua porta...
Há um teu jardineiro bem ali. |

Guardo-me a ti, meu senhor.
Tiraste-me de mim a mulher
E permitiste-me ser tua menina 
Que carrega o teu Amor ao invés da dor
Vestida em vestes de flor.

Faz-me Amar com ainda mais ardor...
Faz-me servir sem nenhum temor
Aos teus pequeninos daquela escuridão
Lugar de onde tu me tiraste
De onde o teu Amor me encontrou.
Dá-me, à ti, toda a servidão.

.. uns dizem que eu escandalizo.
.. eu, que estancas o meu pranto.
.. contigo, pai... danço a minha loucura
.. e testemunho, em ti, a minha cura.

.. eu .. lavaria os teus pés .. 
.. mãos que me deram a mão.
.. guardo em toda a oração.

Karla Mello

Imagem: "A Paixão"

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Jardineiro de Mim


Vou tocando a minha lida,
Tocando em notas tão Tuas
Todas exalam à Jasmim.
Replantaste o meu canteiro
Replantando alguns amores,
Arrancaste as minhas dores,
Ervas daninhas de mim.

Aparando as minhas lágrimas
Nos regadores de mim
Encho e ponho-os todos, enfim
Ao pé do madeiro - Ele É princípio e fim.
E com eles, a tua ternura
Rega todo o meu jardim.
........................ Silencio.

E eu fecho os meus olhos meninos
E já sinto saudades do Tejo
Rio, amado meu, te guardo
Dos meus segredos e confins
Sou confusa... E sou tão grata
| As minhas vestes cheiram à Jasmim |
Por Tuas mãos, Meu Senhor... Meu Senhor...
Deste-me uma família em canteiros!
Deste-me, a conversar, um rio inteiro!
E um jardineiro de mim.

Karla Mello
09 de Novembro de 2017

OST: Greg Olsen

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Rio-me na Cara da Morte


Forrei estradas com pétalas
Do restante das minhas flores
Quase mortas
Tudo o que eu tinha
Em nosso nome.

Caminhei ao teu lado
E não fui a melhor
Não sou a melhor em nada
Mas te dei o meu ultimo
Frescor e dias
Que acreditei no amor que brota
Dos homens por si mesmos.

Caminhei ao teu lado
Nos piores dias
E não fui a melhor
Não sou a melhor em nada
Mas partilhamos dúvidas
E nos perdemos juntos.
Mas plantaram, Nele,
Em nós... Tão sós...
Sementes de Amor
De fé e esperança em nós
Até ao fim deste caminho.

Desmachas tu com os teus pés
Os caminhos que fizemos juntos
Mas já brotaram flores
O jardineiro cuidou
E quanto mais pisas tu
Nos canteiros de mim
Mais nascem flores...
Porque A Luz
Aquece e afasta
Toda e qualquer escuridão.
E brota recomeços em flor
De tudo o que te parece o fim.

Sou Flor do campo
Dente de Leão
Filha dO Leão
E O meu Pai sopra-me
Ao vento dO Seu querer
E vou mesmo e quero
Viver dO Seu favor
Sem nada... Não tenho mais nada.
| Isto é o que enxergam todos os que não “Vêem” |
Não sou mais “aquela”.
Ele é o meu pão e água
De Viver.
Ele forrou todo um canteiro
De Amor
Em mim.
Liberta fui... Enfim.

.. rio-me na cara da morte .. e da “morta”.. e danço como uma “louca” ..

Karla Mello

Imagem Google

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Amo Como Quem Morre


perdoem-me, ternas flores
e tão gentis passarinhos
perdoa-me toda a gente
e ainda todos os bichinhos
por tanto Amar como quem morre
imperfeito...
no próximo segundo que corre...

e são bichos e gente perdida
que caíram, assim, dos seus ninhos
muitos nem ninho tiveram
foram derrubados aos espinhos.
e conheço muito este (des)ninho.
fui feita assim e não tem jeito
de Amor e (des)ninho no peito
e duas fontes no olhar
tu as criaste abundante
elas estão sempre a jorrar.

| a alma melancólica tu também Amas.. e pões segredos de teu Amor e paz ..
que toda a solidão desfaz |

e é tão generoso o meu Senhor
que Ama-nos sem qualquer merecer
e permite-nos, estranhamente,
Amar, assim como quem morre
imperfeito...
no próximo segundo que corre.

.. Amo assim, como quem morre, no próximo segundo que corre ..

Karla Mello

Imagem Google sem autoria

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Dois Fevereiros de Mim


e estive eu a lembrar-me
daquela noite chuvosa de um fevereiro
onde vestia eu um vestido de princesa...
branquinho... tal os sonhos meus.
e passou o trem... o meu trem...
subi apressadamente.
flores e amores nas mãos...
e olores dos canteiros da juventude minha
guardados à apenas a ti.
chovia e flores do céu...
e eras seco...
nem molhavas-te a ti
na chuva que vinha de fora.
nem nas gotas orvalhadas
do meu amor.
mas eu subi no trem...
nas badaladas tantas do sino da igreja.
olhei-me... bela é toda a juventude.
te olhei... te olhei... quase enxerguei.
eu nunca te vi...
nunca saberei se consegui te tocar.
mas sei de mim...
e do meu amor molhado da chuva...
do orvalho das flores que trazia eu nas mãos...
que aromava à sonhos de eternidade.

desequilibrei-me...
e perdi-me ainda de Ti.
e despetalei as flores todas!
desci do trem como uma louca!
prendeu-se o meu vestido
nos tantos tropeços meus.
nos tantos vagões...
nos meus passos vagos...
terminei por rasgar
o alvo vestido em farrapos - de mim.
quebrei o salto dos sapatinhos de cristal.
atirei-os longe...
nem sei onde os perdi.
e tangi os anjos e as borboletas... todos!
e sei apenas dos caminhos que percorri...
descalça...
e é preciso lembrar dos meus pés cortados
e cansados de caminhar por conta própria...
em voltas... à nenhum lugar
que não à mim mesma.
e sei do meu nada...
dos dias vividos sem Ti.
e das noites com medo do escuro.
e das noites com medo do bicho-homem.
e sei das rosas
que não mais ganhei...
nunca mais.
e dos meus (des)aniversários...
da solidão que é viver sem Ti.
e sei do meu declínio...
ingrime... ingrime... veloz.
das minhas perdas.
e das duas mães que se foram:
uma, de morte morrida - outra, de morte matada.
e da dor lacerante e finda
até o momento estanque
do Teu abraço.
e posso ainda eu falar daquele tempo...
um tempo em que eu era cercadinha
com cercas alvas de cuidados ternos...
do lar que formamos.
e risadinhas dos meus "querubins"...
e restinhos de bombons pregados em minha roupa
sempre...
por quatro mãozinhas de mim.
e este tempo é um quadro...
e pendurei-o eu
nas paredes do meu coração.
e hoje este tempo é verso...
que escorre dos meus olhos
e sangram saudades do coração
e escorre pelo meu olhar e mãos
e é o único grito que eu consigo soltar.
no mais... era o nada
sem Ti.

tornei-me num passarinho machucado...
cansado de bater em vidraças.
eu não enxergava as vidraças!
só o que estava para além.
e Tu levaste-me à Tua porta
repleta das Tua flores
e a um semeador cuida(dor)
e é abraço amigo que acolhe-me...
e Tu és tudo.
e fez ele ninho
em meu coração passarinho...
num fevereiro de mim.
e sou Teu passarinho e flor
na hora de partir e sempre...
e nos Teus braços vou
a alçar os Teus vôos
os que Tu sonhas para mim
| Ensina-me a espalhar sementinhas |
e Tua sou: complexa e esquisita.
Usa-me para as coisas Tuas
Repouso da Tua paz...
meu Senhor de mim.

.. como é bom e grato olhar para trás.. e perceber que, em tudo, Tu és e estás ..

Karla Mello

OST: David Bowman

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Descanso


deixo-me.
quero Nele estar.
deixo-te passar por mim.
não depende de mim.
deixo-me passar-me!
deixo passarem
deixo sobre mim:
a Tua vontade
e a tua má vontade
o teu desleixo
a tua vida
vivida à conta-gotas.
ando apressada
e perdi o meu conta-gotas
e eu jorro mesmo.
e parei de viver
do ontem.

ando cansada
resolvi parar tudo
assim...
de mim.
deixo-te parar
cansada de dar "corda"
no teu brinquedo
não é brinquedo:
vida que corre.
vida que passa.

parei. estagnei
lá atrás das águas.
quero descansar um pouco
e sempre Nele:
de mim mesma.
da minha pressa.
do meu "para ontem".
do teu "para amanhã".
deixo-te passar
devagarzinho
e tudo o mais.
e nunca sozinhos...
nós.

eu:
hoje quero estar sempre morta.
Ele... vive.

Karla Mello

OST: Fabiano Milani

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Disléxico Amor



Saulo.. que perseguia cristãos
E que, por teu Amor,
Tornaste-o em teu servo Paulo
Que escreveu tantas cartas 
Tuas, em teu nome
Efésios seis!
Dá-nos a tua armadura.
Revesti-nos!
Amparai-nos!
Na tua marcha que segue
Cada vez mais forte!
E se um se acovarda e cai... 
Misericórdia!
A tua misericórdia nos ergue
E mais tantos quantos outros
Em meio a santos prantos
Marcham... Clamam... Amam...
Na tua santa direção.

Abaixo a hiper graça!
Que é como um cabide cínico
Na sala de estar(se) bem
Onde acumulamos tantas
Imundices! Imundices!
Queremos novamente moldar-te
Tu às nossas vontades!
E esta faz pouco caso 
Da rude... Tua cruz!
Por nós... Todas as dores
Sem distinção.

... És um cavalheiro, meu Senhor
Não invades nenhuma gente.
Tu bates à porta.
Tu vens... Tu nos chamas.
... Faz-me refletir quando afasto-me
De mim mesma
Haja que viver em ti
É esquecer-se de si
Ego que esvai-se para o ralo
Imundo 
Onde é o seu real lugar.
Mundo Insano... Mundo.

Amo-te tanto, meu Senhor
Num Amor tão capenga
Tal como uma frase disléxica
Um Amor mal acabado.
E eu sei que não te surpreendo
E nos Amas tanto assim.

Silencio o pranto.
Comovida sinto-me.
Constrangida faz-me.

E me ergues em ti
Rocha da minha salvação!
Leva-me... Leva-me...
A um lugar onde eu não coube, vã
Efésios seis!
Leva-me para um lugar de servidão.
O meu imperfeito ser
Improvável! Improvável tua sou
Lavada pelo teu sangue estou.

Quebraste tu tantas regras
Que nos separam do Amor
Sentaste à volta de um poço 
Lugar de encontros furtivos
Na Samaria descabida
Com uma mulher, como eu, descabida
E permitiste tu, Amoroso
Que ela te anunciasse.

Dá-nos a tua ternura.
Dá-nos a tua bravura
De quebrar conceitos engessados
De acolher a todos num abraço
Todos os necessitados teus
Como eu, de ti.

|... E o que estão a fazer às tuas criancinhas? |
...Toda a palavra se cumpre...

Meu Senhor... Meu Senhor...
Perdoa-me os pensamentos amontoados
E ainda os abraços abortados
Quando eu os recolho, engessados
Porque não "cai" bem ao lugar,
Às circunstâncias dos nossos “modelos”.
E assim, sou longe de ti...
Tu, que nunca guardas um abraço.
E nós somos tão imperfeitos
Mas dentro de um abraço irmão
Abraços de imperfeitos
Bem ali... Bem no instante | meio
Tu és o perfeito
E cobres toda a imperfeição.

Saulo... que, por teu amor,
Tornaste-o em teu servo Paulo.
E eu... que "matei" tanta gente
E vivo à espreita do bicho "eu"
A tropeçar em mim mesma
E que, somente por teu Amor,
Tornaste-me em tua menina flor
E (re)plantaste-me novamente
No teu Amoroso jardim.
E, quando olho, lá atrás...
Tu sempre cuidaste de mim.

Efésios seis.
Dá-me a tua armadura.
A espada do teu santo espírito: 
palavra de minha boca | tua
| Compaixão exacerbada, enfraquece |
Dá-me sabedoria, enfim.

Reveste-me da tua justiça.
Dá-me o teu Amor no servir.
Dá-me a tua bravura.
Aponta-me o caminho.
... E livra-me sempre de mim

Karla Mello

OST: Brad Kunkle

sábado, 23 de setembro de 2017

O mEdO é uMa gOtEiRa


o medo é tal goteira
que pinga e pinga nos pensamentos
e que enfraquece a minha certeza
dos caminhos aonde levas-me tu
e embaraçam-me os sentimentos
revoltos como em correnteza.

e os teus pequeninos todos
os que têm fome e encontram-se agora
todos os dias e em todas as horas
embriagados de dores submersas suas
e as mulheres perdidas nas curvas
suas e da vida, efêmeras: vida e curvas...
vida que dói e que grita
e eu penso neles e no mundo demais
e tu criaste todas as coisas
e à mim... ser tão confuso teu
dá-me forças, pai, dá-me forças
o mundo faz barulho ensurdecedor.
ergue, desta tua flor, a haste
para que eu volte lá como me ensinaste
quando tu, por amor, me chamaste.

torna-me na mais pequenina
que a forma de amar seja flor
mesmo com cara de espanto e de dor
fortalece, assim, o meu espírito
traz humildade ao meu coração
traz sempre muita gratidão
aponta-me lugares de servidão
aonde tu possas transformar-me, por amor
em tua estendida mão.

e a goteira que pinga e pinga
do medo nas minhas fraquezas
transforme-se em fresco orvalho
na face minha e da outra flor
na face dos filhos teus
e seja aos que sentem, da vida, o cansaço
repouso... refúgio... abraço... agasalho.

dá-nos verdade.
dá-nos coragem
para vivermos a tua verdade.
livra-nos de nós, pai... por amor
livra-nos de nós.
e lembra-me que eu nunca estarei só.

Karla Mello

OST: Alysia Monks

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Por Trás do Espelho

pesado "caber"
insano.
solidão de papel
machê
que desfez-se
na água onde o Amor
É veste.

troquei todas as
(in)certezas
pela leveza que traz
- da cor da paz -
a queda do pano.
da máscara.
em frente ao meu EU
espelho.

traspasso-o
esqueceste-o
morreste-o
amaste-me

não vivo mais eu em mim
e me trouxeste as vestes da menina
num recomeço - fino tecido
do que é renascer menina em ti.

" Eu faço todas as coisas novas! "

e sou filha tua, pequena
florzinha do campo tão amada tua
e porque tanto me amas assim
Amor e perdão tu bordas em mim
para que outros possam ver em nós
a tua misericórdia sem fim

........ segures a minha mão e não soltes.
e não permitas que eu perca-me do teu amoroso olhar para mim.


Karla Mello

OST: William Adolphe Bouguereau

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Deixa Estar


Fico menina e gosto
De escutar a conversa entre
O pai e o meu Pai do Céu
| Foi O meu Pai quem mo deu |

Largou-me passarinho com a asa quebrada
Menina passarinho sem jardim
Bem na porta da Tua Casa
Sem ser flor e sem ser nada.
Passarinho, também era não...
Este querer ser, eu dei-me, então
Para poder caber na palma da tua mão.

E eu gosto da intimidade
Que brota da palavra | mente:
Do meu Pai em comunhão com o outro
E faz brotar Vida da Água corrente
Daquela que sacia toda a sede
Dos perdidos.
E esparramam-se pelo mundo dos sem chão
Lindas Dores-Flores nascem em botão

| Dores-Flores é uma flor que inventei eu
Gosto de inventar flores... E pasarinhos meus |

O meu Pai me deu o pai
Não... não é daqueles de verdade
Do amor humano e nem da carne
Nem das complicações da gente grande
É o pai (des)Colorido...
Colorida | mente... um bavo!
Visão multifacetada | mente
Sobretudo, sobre tudo.
E que Ama como criança
Braços abertos aos que chegam
Porto seguro aos que choram
Refúgio aos Seus execrados, Pai.
Diferente | mente... Diferente...
E eu, tão esquisita | mente.
Sem caber... Tão sempre desadequada | mente.

Fico menina e gosto
De escutar falar o pai
Sobre as maravilhas de meu Pai do Céu.
Despetalo-me em bem me quer
A misturar Pai com pai em Verdade
P'ra depois (des)misturar, resulta
Num imenso colorido na chuva
Que desbota... em vindoura saudade
Dessas que dói e a gente olha
E que não é física e nem tem idade, nem nada.

Deixa ir... Deixa estar...
Não prometo, para trás, não olhar
E acenar a saudade molhada
Com a chuva que brota do olhar.
Vou de coração amoroso e grato
Com a minha Paz... Não nos outros.
A Paz que só Dele provém.

Flor menina crescida enfim.
E eu sei... Eu bem sei que sim...
Que o meu Pai prepara um lindo jardim
| Por Um Amor que eu não compreendo... |
Para mim.

Karla Mello

OST: Iris Scott

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Do Azul


Azul do aquário
Peixinho preso
Vi num outro dia
Nas páginas quase felizes
Do mundo imaginário
De dores no armário
Embutido.

Azul do que é
No céu da minha pátria
E de todos os céus
Das cenas tristes ou hilárias
Do mundo vivido
Das dores encerradas
Dos olhos cerrados
Do amor mal vivido.

Azul do que sou
No silêncio da lucidez
Pensam todos que muito falo
Mas se estou lúcida, calo
Sob a voz que, reflexiva, fala
Que minh'alma cala
Do mundo que fui
Das dores que causei
Do tanto que, equivocado
Andei e Amei:
Amada.
Amados... Amemos.

Peixinho preso
Em seu mundo azul.
O mundo é maior
Do que todo o azul de Amar.
Do que todo o azul do céu
Quando abraça o mar.

Karla Mello

Imagem: Google

domingo, 13 de agosto de 2017

A Menina Que Inventava Passarinhos


Ela sempre, sempre gostou
De inventar vôos e passarinhos.
Ainda menina, bem pequenina
Transformava gaviões em brancas pombas
E, assim, ela encontrava pouca paz
Mesmo que fosse um tempo tão fugaz.

Cresceu confundindo passarinhos
Desistiu e resolveu (re)nomeá-los
De acordo com o seu significado.
Isto trazia muito mais sentido
Às suas vestes, de sonhos bordados.

Não é que ela quisesse fugir
Nem fingir que não os reconhecia
Mas é que era mais amoroso
Caber um passarinho numa prece
Ao Pai do Céu, que nunca a esquece.
E da gratidão por ser Sua flor
Pelo pouso leve de um Beija-Flor
Que, um dia, ela mesma inventou.

Beija-flor que espalha, paciente
De frágil em frágil, quase morta flor
O néctar dO Teu Santo Amor
E nO Teu Amor.. Viva estou, Tua flor
Meu Senhor.. Meu Senhor..
Guarda em Tua proteção e Amor
O meu passarinho Beija-Flor.

.. dizem que ela sempre ora ao Pai por este passarinho que ela inventou.

Karla Mello

OST: Carmen Guedez

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Tu És

Tu És em mim
Em cada abraço e sorriso que eu dou
Em teu lugar de misericórdia e graça.
E cá dentro é escombro
De arquiteturas sonhadas por mim
Na mocidade de fogos de artifícios
E tão fugazes quanto,
Sem o teu chão bordado
De estrelas e lua dos loucos...
Dos improváveis teus.
Sonhos pueris e trôpegos
Fúteis e refutáveis
Desfeitos em teu perfeito Amor.

Se permaneces em mim
És sentido e sentimento à flor da pele
E posso ser flor tua
A ser ofertada por ti
De uma outra forma (des)humana
De forma plena... terna... eterna
Em todos os imperfeitos abraços meus.
Abraços são encontros de imperfeitos
Sedentos de que o teu perfeito Amor
Derrame-se bem no meio
Dos corpos perdidos que encontram-se,
Do instante do (des)encontro,
Para tornarem-se num Amoroso encontro
Em ti.

Dá-me mais desta loucura e coragem
Que é viver para ti.
Traz tudo teu e faz morada aqui por dentro 
Ilumina tudo para que eu exale-te.
Desprende-me de mim e solta-me
No ar... No mundo... Nos becos dos perdidos
Deixa-me sem  chão e sem ar!
Sufoca-me de ti para que eu grite
Aos que necessitam ouvir
Como eu...
A tua voz que ninguém cala.

Transformada em ti numa flor de Lotus estou.
Banhada em tua Água Viva e sedenta sinto-me
De ti .. a ser ofertada eu por ti .. 
Aos imperfeitos teus e eu
Por Amor de nós.

Por tanto Amor que ninguém explica.
Por tanto Amor que eu, por vezes, duvido.
- Perdoa-me! -
Por tanto Amor que eu não alcanço.
Por tanto Amor que nos alcança.
Fica e desfaz todas as pétalas! 
Para que eu te sirva, ó meu senhor!
E em cada pétala... possa eu ser...
Em ti... um beijo terno teu
A pairar na brisa fresca tua
Que refrigera e pacifica.
Sê no âmago mais profundo
Dos que ainda não te conhecem.
Ajuda-me!

…........ confusa filha tua eu sou... 

mais pequenina tua.
Mas Tu És
a mão que me sustenta:
flor despetalada tua
nas ruas do tempo...
nos campos imperfeitos...
nos escombros da morta.
na Luz que me trouxeste...
Do teu perfeito Amor.

.. pétala | beijo teu ao vento .. dá-me a tua direção .. ajuda-me.

Karla Mello 

sábado, 8 de abril de 2017

Vitrinas e Espelho

E é tanta gente com caras e bocas
E cenas e pseudo-amores e carros e roupas.
E o sol! ... O pano de fundo  é|go  sol!
Se é verdade ou mentira, pouco me interessa.
É o que vejo no meu campo visual: esquisito.
Sou um ser esquisito.

Eu quero florescer em qualquer estação
Sem razão de ser... Eu tenho pressa!
Eu não quero "status quo" debaixo do sol
O meu nome está escrito num lugar maior!
Quero morar... E padecer
De tanto Amar
Na tua simpliCidade de ser
O que eu puder ser.

Cansada das vitrinas de emoção.
Quem me olha, não me vê.
Quero sentir tudo aqui bem dentro
Do meu tolo coração.
E andar com gente sofrida e rotulada
Eles são teus! Estes são "eus"!

- Espelho, espelho meu!

Os esquecidos!
Os bem lembrados!
E rirmos juntos...
Até doer a barriga.
Até sararmos ou não
A ferida.

... Cansada das vitrinas de emoção.

Karla Mello

OST: Alyssa Monks

Amor Sem Mim

Questiono-te
Rasgo o verbo e as vestes minhas
Despenteio minhas idéias todas
Sobre ti.
E choras tu comigo... Eu sei que sim.
E eu arrependo-me tanto e tanto...
E, na certeza do teu Amor sem fim,
Descanso no teu Amor...
Porque tu me criaste assim.

O que queres, então, tu de mim?!
Eu, teu ser medonho e arredio
Das trevas donde foste buscar-me à luz
Filha cansada e ingrata
Desgraçada e cega da tua tamanha graça
E Amas a todos os que gritam
Com fome e sede, o teu santo nome!
E os doentes da alma... Todos os loucos!
… Soltos no mundo – prantos - e não são poucos!
Lamacentos porcos e eu!

Mas como assim?!
E o que fizeram de mim?!
E o que eu fiz de mim?!
E o que eu fiz, nos outros, de ti?!
Mastigo tudo com o pensamento
Cheio de dentes e língua ferina
E faço de conta que esqueço.
Não engulo... Tento ficar menina
Com olhar perdido no tempo
Mas engasgo com a água do choro.
E vomito tudo o que é morno.

Agonizo com a companhia do lado.
Talvez seja até mais sincero:
Diz com a boca o que o meu silêncio não diz.
E eu tão cega e também só vejo à mim
E eu queria mesmo era retornar à tua casa
E no teu abraço, poder dormir.
Dá-me lucidez sobre a pequenez de mim!

Sou tua e centelha da tua luz
Que tu acendes com o teu Amor e iluminas
E cicatriza... Toda a dor é finda.
E afagas em meu peito a certeza
De que apenas tu não desistes de mim.
E se eu tenho o teu Amor para mim...
Do que posso sentir falta, enfim?!

Ensina-me, pai... Ensina-me...
Como se Ama sem se merecer
Assim... Como tu me Amas à mim.
Dá-me deste Amor lúcido e febril
Dá-me deste Amor pueril
Água da vida, pura de beber
Antes de eu enlouquecer...
Para que eu nunca mais sinta sede
Dos beijos e abraços ternos
Desses que não se quer nada em troca
E que nada se faz por merecer.
E que eu nunca, sequer, pude conhecer.
... Desses que tu me dás desde sempre
Mesmo que eu não sinta consciente.

O meu Amor, meu senhor, Tu sabes...
Será sempre imperfeito e mesquinho, deficiente.

Questiono-me.
 | Perdoa-me, pai... |
Silencio o verbo e miro as vestes e a cruz.
Envergonho-me e enojo-me de mim.
E recomeças a arrumar as minhas idéias todas
Sobre mim.
Tu enxergaste algo em mim.
E o teu Amor ergue-me e me conduz, Jesus.

És o meu Amor puro... Singelo.
És o meu Pai e minha Mãe e tudo o que é vazio.
És o meu Amor ideal... Nunca tardio.
És o meu Amor sem mim.
És o meu amor sem fim.

Karla Mello

OST: Nik Helbig

quinta-feira, 30 de março de 2017

Menina Grão de Feijão


Sinto-me um grão de feijão
Germinado nas águas tuas
Regado com as lágrimas tuas
E logo esquecido em qualquer lugar
Aonde tu me dizias para ficar.

Fui qualquer ser inesperado
Que tu não gostavas de carregar
Na casa que deveria ser minha
No peito que deverias me dar
E cresci com fome de tudo...
E ainda sem entender, no mundo, o meu lugar.

Eu odeio-te e amo-te tanto
Que para o meu próprio espanto
Pego-me com saudades de ti.
Olho de soslaio e vejo-te
Nos tantos descuidos de mim.
No meu sorriso e na minha face
Que dizem lembrar a tua.
Queria mesmo assumir que sou maldita
E que não quero nada de ti sobre mim!
Prefiro ser a filha da rua.

O que posso eu sentir por ti?!
Valha-me, meu Pai do Céu!
Quanto mais busco-me, mais encontro-vos!
Dois insanos!
Dois imundos e também eu!
E o caos adoecido de onde eu vim.
Nas ordens equivocadas que eu obedeci.
Na tua vida mentirosa, jeito quase terno
No teu colo que deveria ser materno.

Guardo o julgo...
Silencio, oro e choro.
Eu apenas queria compreender.
Há quem diga que algumas coisas não são feitas
Para o nosso humano entendimento ser.
E, decerto, esta nossa vida,
- minha e tua -
É uma das tantas coisas incabíveis
Inconcebíveis, inacabadas e fogem-me.
E estancam-me o riso.
E arrancam-me a consciência sobre tudo.

Procuro lidar bem com a verdade
Que me bate ainda na face menina

Tu eras grande demais para mim, tão pequenina.
Ocupava muito espaço a tua dor.
Tu eras o centro da tua própria vida.
Foste uma escrava morta-viva
Com sorriso no rosto e batom carmim
E todas as ordens prontas sobre os saltos
E olhares de ajustes para mim.

Sinto-me um grão de feijão
Menina na palma da Mão
Daquele que me Ama desde sempre
E que sabe tudo sobre mim.

 | dois passos para trás eu dou.
para que eu possa livrar-me de vós.
sobe-me o vômito e eadoeço a minha carne um pouco mais
para que eu possa conhecer-me e crescer.
porque a vós... eu já farto-me de (re)conhecer demais |

Hoje eu queria voltar para Casa, Pai ..
Deixa-me descansar, meu Senhor, no regaço Teu
Deste inferno onde eu nasci e não compreendo
Deste inverno rude que é ser eu.
Ensina-me a esquecer-me de mim
Para cuidar de tudo o que é Teu.

Karla Mello

OST: Imagem Google

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Testemunho

Se cansada: dou luta.
Se choro: louvo.
Se está difícil: repouso.
Se estou quieta: acordo.
Se estou Paz: doo.
Se estou tumulto: ausento-me.
Se estou silêncio: falo.
Se estou no foco: saio.
Se sinto fome: alimento.
Se estou alimento: fujo.
Se facilitam: espreito.
Se dificultam: agradeço.

Aos "dias de glória": as piores noites.
Aos dias difíceis: a veste mais bonita.
Aos que Caminham: sigo.
Aos que perdem-se como eu: oro e choro.
Aos que Te encontram: escuto e guardo.
Aos desencontros: abraço.

À mim: negação.
À Ti: afirmação da minha negação.
| Testemunho sobre o Teu Amor que nunca muda |

E o êxtase da loucura santa do desprendimento que provém de Ti!
- Água de saciar a minha sede -
Que é a gana de andar no mundo, sempre na contra-mão.

… Bicho solto no mundo eu sou – Tua sem nunca caber.
Dá-me de beber, ó Pai... Dá-me de beber.
E livra-me de mim.

Karla Mello

OST: Célio Nunes

Superfície

superfície
eu quero a superfície
das coisas
do mundo
e de mim.

eu não aguento-me
debaixo
da minha superfície
insana e
questionadora.
duvidosa,
ruidosa eu
e o mundo
e debaixo: tudo chora.

debaixo da superfície
eu não encontro mais quase nada.
e, antagonicamente,
vivemos todos
na superficialidade
das coisas e momentos,
e pessoas.

- copos descartáveis com bebida barata.

superfície
eu quero a superfície.
ela não grita,
não chora e não tem cor.
é órfã
tanto quanto eu sou.
adaptável
na minha egoísta e simplista
superfície.

… debaixo da minha superfície há uma mulher que chora e sente medo.
sou um transeunte... na minha esquisita e colérica superfície.

Karla Mello

Pintura em Spray: David Walker

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Sobre o Teu Silêncio Fecundo

Eu não te sinto
E há dias assim.
E perco-me no meu humano desamor
E encontro-me e tão somente
No teu perfeito amor.

 | ele tão cheio de razões para;
eu tão cheia de razões para não parar.
ele tão cheio de conceitos;
eu tão cheia de dúvidas.
ele tão cheio de “amanhãs”
eu tão entregue à minha dor do hoje.
ele tão impaciente.
eu apenas observo e calo
a minha boca maldita |

Laceram-me o coração os gritos
Que vêm do outro lado do bosque.
A dona do meu espelho chora
Empática à sua dor, choro e oro.
É prima irmã da minha dor
De outrora.

Escapam-me lágrimas no abraço
Àquela que sente o meu cansaço
De outrora.
De caber nos julgamentos alheios
Mas pertencemos, juntas, então
Ao grande amor daquele que há de vir:
Aquele que nos consola
E que nunca nos vira as costas.
Único. Amor profundo.
Ele é tudo e seu é todo o mundo.

Aflita e eu não te sinto.
Ambígua inquietação e paz:
Inquietação com as coisas do mundo;
Paz que não é deste mundo
E que reside entre um respirar e outro.
E eu não quero mesmo caber
Nos adjetivos tantos do mundo.
Sou tua e adormeço profundo
Na tua paz que a minha alma inunda.

Descanso em teu silêncio fecundo.
Eu não te escuto.
Há dias assim.
Peço que tu sonhes com os meus sonhos:
Frágil encontro-me.
Dá-me um coração obediente.
Eu não te escuto.

Eu sei que tu afagas os meus pensamentos infecundos.
… Repouso quieta em teu silêncio profundo.

Karla Mello

OST: Google não forneceu o nome do Artista