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Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...

.. obrigada .. :)

sábado, 26 de novembro de 2016

Da Bailarina Menina


Ela era uma bailarina
De uma valsa que apenas ela
Ousava, louca, bailar.
E trazia nos seus cabelos
Uma tiara da cor do arco-iris 
E a saia toda bordada
Com estrelas cintilantes de ponta
E ainda a sapatilha
Que calçava apenas um pé.
O outro par ela perdeu por aí...
Enquanto tentava, erguida
Nela mesma equilibrar.

Ela era apenas menina
Que amarrou um barbante gigante:
dos seus pensamentos tontos,
até a Lua que se esconde.
E prendeu no barbante uma tábua
E fez um balanço brincante...
E balançou até vomitar.

… Há quem a tenha visto à balançar
E ainda a bailar na alva Lua minguante
Iguais aos seus sonhos de instantes.

Ela era mais uma passante
Deste mundo caos ofegante
De “redes” e fotos estanques
De sorrisos em fotos congelados
De momentos, por vezes, errantes
Que fazem barulho constante
De mortos-vivos que andam distantes
Pelas ruas à procura de um abraço
Que cabe, de certo, no laço
Do seu braço que cruza no espaço...
Noa ar... À formar um abraço.

Ela era uma bailarina
Sem graça a buscar uma rima.
A dançar sem platéia ou aplauso
No silêncio da noite tão sua...
À balançar na minguante Lua
Sempre à espreitar a rua da noite
Que bem em meio ao açoite
Haja um sentimento par que estanque
O Amor sobre o mundo que dói - sua sina
Bailarina sonhadora menina...

… Ela é qualquer coisa esquisita...
Entre o acreditar nos sonhos e o acordar deles aflita.
Ela prefere prendê-los todos num bonito laço de fita.

Karla Mello


OST: Leonid Afremov

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Da Janela Que Engoliu Um Bosque


Aprendi a conversar com o bosque.
Nos cumprimentamos, cedo, da minha
Janela da alma que sempre está
A orar e a cantar e a dançar!
E a falar sempre sozinha,
E ainda a cozinhar
Pensamentos e comidinhas
Orvalhadas de sonhar.

Aprendi a conversar com os passarinhos.
Nos cumprimentamos, cedo, da minha
Janela do céu de minha boca
Estrelada e que gosta de sorrir.
E ainda de soprar mil beijinhos
Bem para lá do além mar
Repletos de Amor e carinho.
Passarinhos sempre sabem, ao certo,
Quando eu estou a falar de ninho.

Sinto-me sozinha de gente.
Perto - gente que engole gente,
Gente que engole sonho,
Gente que aborta gente
Do coração...
Sem ter noção...
Do que aquece, em Verdade, um coração.
E eu ando, assim, a residir embaixo
Da sola do seu sapato – hiato
Fendas, eu e tu e entre as palavras nossas
O EGO de gente e sua dor é o seu
Mundo cego, mundo mudo, mundo torpe...
No seu solitário e triste vão recato.

Silencio e piso devagar por entre as fendas - hiato.

Aprendi a conversar com o bosque
Nos cumprimentamos, cedo, da minha
Janela ensolarada e fresquinha.
Ele sempre me diz de lá, alegre e verdinho:
- "Caminha firme... Caminha!"
Sempre respondo a sorrir... Levezinho.

Da minha janela que engoliu um bosque.
Na minha janela cabe um vasto
Mundo... Da minha janela.

Karla Mello

OST: Márcio Camargo

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Despetalada Flor-Dilacera

Despetalei a Flor
De onde eu fui
Botão.
E grão.
E não.

Haste sem pétalas
O dedo de tua mão
A ordenar.
E percebo melhor
O que foste tu
O que sou eu
E por onde vou
Seguir.

Lavei com água
Do choro
Daquela criança
Que ainda traz
A Flor trôpega
Com folha escrita
De tua reza
Que se desfaz.

Despetalei a Flor!
Descabelada estou!
Caule despido és!
E miro-te...
E miro-me.
E procuro o Amor
Ambíguo e nosso
Nos vestidinhos meninos
Em viés.

... Cresci! E ganhei olhos de ver!
Dor que dilacera!
Ampara-me!

- Silêncio -

Eu já não visto mais os teus equivocados retalhos.
Prefiro vestir os loucos versos... Remendos meus.
... Há quem diga que eu liberto-me neles.
E de todo o mais...
E das tuas tantas costuras...

Karla Mello

OST: Mike Dargas

terça-feira, 8 de novembro de 2016

TragoVersos

Trago Flores no cesto
- coração -
Orvalhadas e gratas.

Trago versos
- frutos -
Cato palavras que caibam
No meu coração que Ama
O reverso.

Trago abraços
- recebidos -
Desses que abduzem almas doentes
E que gostam de estancar
Choro de gente.

Trago Amor
- endereçado -
Aos passantes que procuram
O par do sapato apertado
Que ninguém quer calçar.

Trago Aquele
- Eu Sou -
O que em todo o tempo É
A todos os que, como eu
Andam cansados de si.

Trago A Paz
- descanso meu -
Daquele que justifica
Daquele que nunca desiste
Daquele que por todos chora...
Daquele que a tudo assiste...
E refaz.

… Enchi o meu cesto com as suas Flores.
Estão todas em oferta àqueles a quem o mundo cospe a face e rejeita.


Karla Mello

OST: Donald Zolan