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Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...

.. obrigada .. :)

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Confissão

Eis que aqui estou 
Diante de meu pai 

( Novamente e será sempre
Pois resides tu na minha adoecida mente
- Engavetado! -
Que nem sequer à mim mente
Sobre a tua maldita e minha
Imunda semente )

A confessar-lhe em prantos
Que eu te odeio tanto!
Pois que violaste tu
Todo o meu encanto
Dos meus recantos meninos
Da minha boca em jasmim
Inocente flor de mim
Que era suposto ser
Aquilo que eu nunca fui:
florzinha do teu jardim.

Olho de soslaio
E vejo a tua descarada cara
De morto-vivo tão vivo
E o vômito sobe à minha boca
E sinto-me suja de ti!

... Violaste tu a minha boca menina!

E a minha condenação
É ter-te nas minhas veias
É ter-te na minha mente
E passeares e rires cínico
Nesta  minha dor-solidão.

... Pobre menina indefesa!

Ninguém viu!
Ninguém ouviu!
Mas todos bradam e falam
Do seu caminhar torpe e vil!

… Escandalosa mulher que aos errados ama!

- Mas e o que era certo em teu amor por mim que clama,
para que fosse certo em meu amar que é breve chama?!
E lacera-se a garganta minha
Num grito de socorro antigo:

… Ninguém nunca ouviu!

Mas ainda replica
Mas ainda ressoa
Mas ainda ecoa
Mas ainda escorre
Pelo olhar
De filha consolada nos braços do pai
Este onde ela se sente
Limpa, leve, justificada.
Sua flor menina e amada.

Eu não preciso de ti.
E cuspo a tua cara maldita!
E entrego-te a todos os infernos meus!
A todos os descompassos meus!
A todas as dores minhas!
É tudo teu!
Brindas tu, então!
Nos infernos todos teus!
Do teu viver hébrio e parco.
Anárquico!
Da minha existência opaca...
Desta que, um dia, perdoa-te
E tão somente a ti.

… Confesso e repouso em teus braços, pai.
Amoroso e materno. Imutável e eterno.

Karla Mello

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Do Céu da Boca


E eu queria arrancar a "cara" do meu desejo...
E enfiar a minha "cara" de todos os "nãos" que eu nunca te dei...
Na tua cara!
No meio da nossa cama!
Nas tuas mentiras!
Nos lapsos de amores que me deste!
Restos!
Migalhei-os...
Todos!
Creditei-os...
Louca!
Eu orei por nós...
Estúpida embriaguez de outrora!
Estupida lucidez do agora!

Faz-me rir de mim mesma...
Faz-me chorar por mim, embora...
Sejas tu a minha sina...
Do amanhã... Do outrora...!
E de tanto amar-te... Esqueço-me.
E de tanto esquecer-me,
O tempo impiedoso desce o seu véu
Sobre o tudo quase nada de mim.

E o meu sorriso...?
Ele é um tolo!
Que anda trôpego... Por aí!
Dar-se a cumprimentar a todos!
E rir-se muito... E pouca é a verdade...!

Um sorriso tolo que pensa que é sorriso...
E que pinga gotas solitárias... nos tetos de mim
E nos bastidores do céu estrelado dos sonhos...
Dos desejos e tudo o que descabe...
No vão - céu da minha boca.

Karla Mello

OST: Alyssa Monks

Descom(passos)


Um passo atrás e sinto-me no chão e escorre-me sangue e vida
Sem escolhas e num beco estreito de mim
Sem chão e com segredo sem ouvinte

- "A pior de todas e já condenada ao fogo do inferno!"

E é inverno e faz frio e nada alivia-me da dor que lacera.
Chora a alma e engole o choro e o dolo
e guardo-o a partilhar com Deus.

Dois passos atrás e encontro-me com as minhas criancinhas
Todas atrás de mim a disputarem o meu colo e peito.
E sento-me no chão a ser menino e menina
Posso ser assexuada se com eles estou
Sou versos, rimas e cantigas de ninar
Sou ternura, proteção e coisa que ama,
que vai além de ser humana.

Três passo atrás e vestidinho branco de acácia
e laços vermelhos de fita gourgurão
presos lado a lado são dois... E acho graça
Olhos puxados dos laços apertados
e deve ser por isso que sou livre e quase nunca prendo os cabelos.
Gosto de brincar de crescer e sou tão tola
ainda procuro colo e estou sempre a olhar o medo de soslaio.

Um passo à frente e encontro-me trôpega e sem destino
Entretanto há porto e norte mas o destino... seria pedir muito à mim!
Não importa o destino e importo-me com o agora de mim.
Uno as pernas e alinho o pensamento e só tenho a mim
E resta-me apenas sonhar.
É tarde demais para desistir de crescer.

Karla Mello

OST: Jimmy Law

Da Indiferença


E era amor...
E de tanto amar
Pertinho do céu que é esta dor...
E nem era agosto...
E nem era frio.

Hoje, dor...
E nem é amor
E nem de pertinho é desgosto.
Indiferença, eis a face...!
Deste calafrio.

Karla Mello

OST: António Mendanha