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Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...

.. obrigada .. :)

sábado, 25 de junho de 2016

Bem Aventurado


não é da terra
nem é do mar
o abraço laço
em palavras
que nos corrige
os passos.

não é da terra
nem é do mar 
porque maculado
estaria o abraço
e contaminado, assim,
não poderia ser
tudo o que vem
d'Aquele que É.

bem aventurado
o coração que ousa
largar-se de si
e chorar e orar
e atento estar
ao laço abraço

e lançar-se ao mar
revolto
de todos os perdidos,
dos loucos fabricados
e ir para o encontro
do consolador
abraço laço.

.. bem aventurado coração... bem aventurado.

Karla Melo
OST: Horace Vernet

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Dolo de Flor


A terna flor
Em vão afina
A sua textura - descompassada dor
Em seu peito em flor
Primaveril e tolo
Sem qualquer dolo
De querer ser toda
a sua flor menina.

O que faço eu
Se esta minha sina
É morrer de amores
E querer ser flores
E todas as dores
Que traz consigo
Este tanto amor...

Beijos em cores
São sara-dores.
Boca tua minha...
Beijo... Beijo...
Nasço e morro em ti.
E de mim
Brotam flores tuas:
sementes Jasmim
Todas carmim.
São dores-flores nuas
Sob o nosso olhar
Repousado enfim.

Karla Melo

Pintura Hiper Realista - Rob Hefferan

Uma Certa Madalena


caçoar
humilhar
derrubar
despir
abandonar
usurpar
violar
apedrejar
sulgar
o pouco mel
da despetalada
flor
dos campos ressecados
dos instantes seus
onde os pés seus
largavam-se e despediam-se
do seu viver parco
e rasgava-se o chão.

lama, alma, lama a minha.

doente e exposta
aos julgamentos alheios
aos escárnios e
já nem inportava-se mais.
cansar é quase desistir
é quase despedir-se
de si por um fio
tênue à escuridão.

luz!
grandiosa é a luz!

levantou-a
abraçou-a
e não havia mais ninguém
à julgá-la à sua volta.
e era ele e eu
numa noite onde só a lua
pôde assistir e sorrir

.. eu nunca mais tinha visto um sorriso ..

e adormece ainda ela
até hoje, criança sua,
flor dos seus campos verdinhos,
no seu amoroso regaço
do sangue vertido e escarnecido
e o corpo seu em pedaços.

e quando ela cai
ele a levanta.
e quando ela chora,
pede a ele para
colocar-lhe no braço.
e o seu abraço e colo
é o único lugar
onde ela pode ser ela mesma
sem histórias apagadas.
com histórias construídas.
e sentir-se ainda tão amada.

o seu abraço e colo
é a sua mais perfeita
paz e morada.

Karla Melo

OST: "Madalene" - o Google não informa o nome do Artista

terça-feira, 21 de junho de 2016

Tempo


tic-tac
na insônia 
minha.
soleira 
da torneira
gasta 
e a impaciência
da pia
e a minha.
tic-tac
e os segundos:
antes.
agora.
depois.
já é.
já foi.
tic-tac
soleira 
gasta
das portas 
da vida.
e os segundos 
e a morte:
vida.
depois da vida:
Vida

... silêncio do tempo.

Karla Melo 

OST: Salvador Dali

sábado, 18 de junho de 2016

Passagem

Largo a mochila abarrotada de tralhas, e mortos e pesos e culpas e dores:
minhas e dos outros, mas que eu quero, estranhaMente, que sejam minhas e sobre os meus ombros, para que eu possa acariciá-las.
Mochila que eu mesma arrumo e desarrumo, todos os dias.

Paro. Abandono-a.
Esta não é a minha mochila favorita.
E nem tenho e nem quero estas "constâncias objectais".
E tiro ainda todas as roupas velhas de sobre o meu corpo.
Dispo-me. De conceitos antigos que eu mesma os construí.
No próximo passo já reside o melhor de mim.
Sigo metamorfopsiquicaMente.
Sigo ambulante da vida e guardo comigo a mão amiga.
Linda é a vida e eu não via!
Vês?! ... Sigo leve! Livre!
Feliz e grata pelo "agora" de cada passo dado na direção de todo o novo SER.
Complexa eu e com esquecimentos impossíveis. Mas remontados na felicidade do instante possível, só porque é.

Eu escolho a vida em movimento constante.
Eu escolho não ficar presa a nenhumas "paisagens".

Karla Melo

Imagem: arquivo pessoal

Fio da Flor-Amor


Palma das nossas mãos
Fechadas em concha
E cabem o grão
De tudo o que pode ser
Bom.

E juntos plantemos,
Então.
E florescerá
A cor do mais belo
Som.
O tom do mais belo
Arco
Por onde haveremos
De passar.

E da delicada textura
Da mais bela flor
Desfiaremos o fio.
E teceremos juntos
O pano das nossas noites
Estrelado.
O campo dos nossos dias
Com cheiro de flor
Que nos trará, carinhoso,
O vento que acalenta e embala
O nosso estranho
Amor...
Ao tocar em toda a alegria
De estarmos um.
E gratos e juntos.
E só.

Palma da minha mão
Fechada em concha e guarda
O fio da Flor - Amor
Que um dia me entregaste.

Karla Melo

Arte em Pastel: Vicente Romero

Equívoco


Eu não tenho qualquer vocação
Para nenhuns tipos de bajulação
E sinto asco se me bajulam.
Sou arredia, bicho do mato
E gosto pouco da humana comunicação.
É quase sempre truncada
Embaraçada e desinteressada
De nós.
E de uns pelos outros...
Por dentro de cada barulho.
Por dentro de cada silêncio.

Prefiro a contemplação
Da silenciosa Lua.

E gosto eu da ternura da flor,
Abraço sincero da dor
Da alegria ou do acaso
Muito mais do que dos desejos
Da efemeridade da carne.
Opto pelo abraço:
Do coração com o coração.

Sou uma maluca feliz
Que sabe dividir o pão.
Que aprende a servir um irmão.
Quase sempre atrapalhada
E que acredita na individual ação
Que soma-se à humanidade.
Mas que descarta a palavra em vão.
Aquelas...
Que não são ditas com o coração.

E se sentires algumas dores,
Posso eu não resolvê-las,
Meu irmão.
Mas posso eu te fazer descansar
Num abraço
Do meu cansado coração:
Coração com coração.

.. não costumo me explicar tanto assim ..

Karla Melo

Imagem: arquivo pessoal

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Ternura D'escrita


ó meu Pai
se foste tu quem puseste
esta sofreguidão em meu peito
então acato. oro por mim,
aquieto e calo.
espinho este que nunca tiras.
Grata sou, pequenino grão
fagulha da luz tua
que nunca compreenderá
este teu Amor desmerecido.
este teu Amor descabido e justificado
por mim.
esta tua filha sempre
descabelada-mente
confusa
e que tem mania de amores
e que tem mania de flores
e de querer aprender a servir
e abraçar todas as dores.

mas se ainda assim não foste
tu quem quiseste assim em mim:
esta ternura prima da dor
que chora por tudo e ri tola-mente
com todas as alegrias simples
mas que inquieta-me.
e expõe-me ao mundo
a minha alma de pecador, então
arranca-me de mim isto que eu sinto.
isto que eu não sei nem o nome
mas que, todas as noites, com desvelo
busco a ternura em meu peito
- com jeito -
e beijo-a e com tanto respeito
- grão brotado em flor -
no meu chão ressecado e cansado
e faço-a descansar na brisa leve
com medo que, um dia, ela esfrie
e se vá com o mundo
onde eu sempre tive dificuldade
em caber.

Eu sou uma descabida-mente.

mas é tão leve a ternura e imperceptível em segredo de olor
e vem perfumando os meus dias alegres em ti.
deito-a na palma da minha mão.
e é tão bela a contemplação.
pois se foste tu quem a puseste em mim
eu te prometo, silenciosa, atravessar-me
com o meu olhar, o teu Céu, a contemplar.
mas eu te confesso e ainda te peço:
não me permitas, em mim mesma, tropeçar.

ó meu Pai
se foste tu quem puseste
esta sofreguidão terna e agonizante
neste meu peito com mania de amores,
faz-me lembrar que eu sou tua.
e inspira-me do que queres de mim.
e ainda a ser grata por tudo:
por toda a paz e imutável Amor o teu
que lá na cruz tu me deste.

.. criança tua eu sou ..

Karla Melo

OST: Zolan