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Trago Flores no cesto - coração - Orvalhadas e gratas. Trago versos - frutos - Cato palavras que caibam No meu coração que Ama ...

.. obrigada .. :)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Prismas da Lucidez


anoitece e luto
hoje e amanhã.
quem sabe até
um pouco mais
com o meu luto
do prisma meu
engessado
em única face
tola.
hoje são prismas
facetados e lúcidos
e a sua amplitude
é o meu olhar do hoje.
e incômoda é a luz
nesta cegueira que adoece
e que mata-nos aos poucos
a erguer o vazio quase feliz
de outros loucos.

e a girar estou
em volta dos prismas
do que eu desconheço.
do que não era.
do que eu não fui.
do que eu necessito
- ser -
sem ser consequência
- de -

ó confortável angústia!
seja momentânea, mas faça-me girar
ainda mais! ainda mais!
para que possa eu vomitar
o ópio que há tanto saboreei
e engoli-o inteiro
sem nunca digeri-lo!

... cresci pseudo qualquer coisa útil
aos passantes
fragmentada-mente.
fecho os olhos meus então
e sinto medo e oro.
e choro o luto
daquela "uma"
insalubre e insana
que fomos nós.

miro-me ao espelho.
tomo um trago da verdade amarga
que nos rasga o véu
da alva e enganosa textura
- mentira -

... havemos de enterrar todos estes "mortos".
e ainda o prisma no olhar engessado meu e estúpido.
e girar... e girar... e girar...
até que alcance eu a lucidez numa valsa
no tom afinado da reconstrução do "eu"
e ainda apreciá-los todos...
e sentir paz.

Karla Melo - "Prismas da Lucidez"

Arte: David Walker - pinturas spray

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Ser Humano em Caixas


Nada sabemos
Sobre nós mesmos.
Somos caixas fechadas
Em vergonhosos segredos
Em orgulhosos feitos
Que espalhamos pelo mundo
Aos quatro cantos do mundo
Para este imundo mundo
Nos bater muitas palmas.

Tudo sabemos
Sobre o outro
Quando miramos a caixa
De segredos de fora
Hermeticamente fechada
Nas dimensões estreitas
Do âmbito da visão
Tosca e habitual
Do imediato humano.

- o não suportar é um confronto com o medo das nossas supostas fraquezas -

Sinto saudades dos meus
Que conhecem o que mostro eu
Mas sabem ao menos falar
A minha flor, cor, perfume
Preferidos meus de outrora
Onde perdi-me e já nem sei
Por onde andei.

Cada ser é um universo único dentro de caixas
E dentro de outras tantas caixas.
Difícil é encontrar-se a si mesmo...
E quando encontramos...
Perder-se já não é mais lugar seguro.

 - hoje, sem querer, deparei-me com uma fotografia antiga -

Viver é um remontar contínuo e exaustivo do nada que sempre seremos
Mas cada um de nós tem a avaliação imediata do outro já concluída.

Que nota nós damos ao que miramos no primeiro instante?!
Prematuros somos às caladas do nosso olhar que agride em silêncio.

Karla Mello

OST: Michäel Borremans

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Sobre a Minha Rosa


rosa vermelha é  chegada.
rosa de amor e partida.
quando pousa sobre o bilhete:
veste alegria ou  despedida.
rosa vermelha chorona,
se orvalhada, está sentida.
rosa da lembrança que fica:
silenciosa lágrima incontida.

rosa prenúncio do abraço
que encanta,  faz e desfaz.
rosa da saudade laço
de amor sem querer ser nó,
do amor que nunca sufoca,
do amor que nunca escraviza,
do amor que segue um compasso.

rosa vermelha é chegada.
sobre o bilhete:
rosa amor ou despedida.

Karla Mello

Imagem Google

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Toda a Palavra Ternura


olhar taciturno o teu
em lento espaço de tempo
- tempo, inexistente tempo -
quando pousa sobre o meu:

pouso da abelha rápida
sobre a flor que quer viver

e fazer brotar sementes
e adoçar o mundo inteiro
com a tua palavra alimento:
- mel aos  amargos todos -
que brota do teu desejo,
das mãos bondosas do céu.

eu comeria o teu olhar
para que o meu olhar, consigo
levasse, para sempre, comigo
o que eu posso apenas guardar.
eu posso guardar em chaves
codificadas por sonhos reais
tão meus e nunca serão teus
e nunca de ninguém mais.

olhar taciturno o teu
ternura tanta... guardo... guardo...
na constância do  tempo arenoso
e pequeno - curto é o tempo
onde eu apenas penso
ser meu.

Karla Melo

OST: Donald ZOLAN

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Eternidade Finda


Dá-me o teu Amor
inteiro e desarrumado.
Não precisa um ponto e não importo-me
com as reticências.
A própria vida é reticente e nem sempre
posso eu completar as minhas frases.
Guardo-as para mim
Mas não fraciono Amores a entregar.
Entrego-os sempre inteiros
E gosto de sorrir e de sol.
De flores e também dos dias chuvosos.
Então, abraça-me...
Sê terno e amparo meu.
Dá-me o teu silêncio...
Esvaziemo-nos.
E dá-me a tua mão se a luz apaga.
E enxuga-me a alma quando sangrar.
Faz-me compressas lentas
E beija-me o instante
Como se fosse o último beijo
do até nunca fomos.
E ralha com o relógio e emudece-o.
Este tolo marca apenas poucos segundos
de vida nossa resfolegante.

Vil relógio das horas das paredes que aprisionam,
Haja que não sabe ele
que há eternidade nos segundos.

Dá-me, do teu Amor, por um segundo.

Karla Melo

OST: Alyssa Monks

(entre)pedras


pedra no dente
encravei o adorno.
as do sapato?
retirei todas:
em torno.
sob os pés.
sobre os pensamentos todos
e a cabeça.

cresci na chuva
e floresci.
... às vezes, não...
retorno às pedras.

... viver é uma inesgotável fome ambígua.

Karla Melo

OST: Rim Lee